‘Viva’ discute paternidade e homossexualidade em Cuba

Cena do filme 'Viva' (Foto: Divulgação)Cena do filme ‘Viva&’ (Foto: Divulgação)

Coprodução cubano-irlandesa, “Viva” entrelaça os temas da aceitação da identidade sexual e da paternidade contando com a presença sempre inspirada do veterano ator Jorge Perugorría. Mas, ao contrário do sucesso internacional “Morango e Chocolate” (1995), em que vivia um gay, o ator representa aqui a intolerância contra a homossexualidade, no caso, de seu próprio filho, Jesús (Héctor Medina).

Pugilista arruinado pela morte de um homem e por uma temporada na prisão, Ángel (Perugorría) esteve ausente da vida do filho desde a infância, por 15 anos. Jesús cresceu criado pela mãe, que morreu cedo. A partir daí, teve que sobreviver por conta própria, de todo trabalho que podia encontrar, desde o corte de cabelos à prostituição.

Aos 18 anos, cuida das perucas das drag queens de um famoso show de cabaré, onde o dono, Mama (Luís Alberto Garcia), atende ao seu pedido de um teste como atração no espetáculo. Justamente quando entra no palco, de vestido e maquiado como a personagem Viva, Jesús é atingido por um soco de um frequentador, que ninguém mais é senão seu próprio pai.

Recomeça aí, de modo turbulento, um relacionamento que, para o rapaz, parte da estaca zero. Ele não conhece este pai, que saiu da prisão com toda a carga de alguém que perdeu o rumo e não tem mais com quem contar, exceto este filho, que mora no detonado apartamento familiar no centro velho de Havana.

A convivência torna-se uma verdadeira guerra pois Ángel não chega disposto a compartilhar, mas a impor sua vontade à força. Ainda que seja incapaz de ganhar para o sustento da casa, ele proíbe o filho de voltar ao palco do cabaré. A proibição, por sua vez, obriga o filho a recorrer às velhas táticas de sobrevivência nas ruas – mas o pai finge não tomar conhecimento de onde vem, afinal, o dinheiro que alimenta os dois.

Filmado em Cuba e falado em espanhol, o filme foi escrito e dirigido por dois irlandeses – respectivamente, o roteirista Mark O’Halloran (que faz uma ponta como um cliente de Jesús) e o diretor Paddy Breathnach – e representou a Irlanda na corrida ao Oscar de filme estrangeiro em 2015, não entrando na seleção final.

A história explora com sutileza e habilidade a tensão entre pai e filho, buscando brechas para um crescimento mútuo. Ao mesmo tempo, não deixa de fazer justiça a uma das grandes contradições de Cuba, contrapondo uma situação de escassez material profunda à generosidade típica deste povo latino e musical, sem banalizar seu conteúdo com excesso de melodrama.

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