‘A chegada’ transforma alfabetização de ETs em filmaço tenso e atordoante

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Pois é, um dos melhores filmes do ano  dedica boa parte de seu tempo mostrando em detalhes a alfabetização de dois ETs. “A chegada”, com uma premissa que à primeira vista parece esdrúxula, chega nesta quinta-feira (24) aos cinemas brasileiros. 

Ele fica no meio do caminho entre uma ficção científica instigante (ou cabeçuda, se você não curte o gênero) e um filme mais facinho, desses que não é preciso pensar tanto: basta ficar tenso e deixar a história te levar.

“A chegada” pode cativar qualquer um, mas vai encantar mais fãs de séries que tentam pensar o futuro e discutir relações. Sair do cinema após quase duas horas de sessão equivale a terminar uma maratona de “Black Mirror” ou “Mr. Robot”: atordoado é pouco.

A sinopse faz parecer que a trama é uma piração, mas calma lá. Vamos a ela: Doze naves extraterrestres pousam em doze pontos diferentes da Terra. A linguista Louise Banks (Amy Adams) e o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) são convocados pelo Coronel Weber (Forest Whitaker). A missão dos dois é entender o que os ETs querem por aqui. Essa visão menos clichê da relação entre humanos e alienígenas é do escritor americano Ted Chiang, autor do conto “A história da minha vida”, no qual o filme é baseado.

Amy Adams vive a Doutora Louise Banks, uma estudiosa de linguística, em 'A chegada' (Foto: Divulgação/Sony Pictures)Amy Adams vive a Doutora Louise Banks, uma estudiosa de linguística, em ‘A chegada’ (Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Desde já, “A chegada” é um dos filmes muito bem cotados ao Oscar. O roteiro é favorito e Amy Adams já ganhou o Oscar no meu coração. Ela já foi indicada cinco vezes e nunca levou. Desponta como possível indicada, mas Emma Stone (“La la land”) e Natalie Portman (“Jackie”) estão um passinho à frente na lista de apostas dos críticos.

Humanas x Exatas

Amy é tão empática em seu papel que você pega na mão dela e a acompanha sem questionar. Mesmo que estejam juntos em uma jornada sem cronologia bem definida e com muito mais perguntas que respostas. Renner (o Gavião Arqueiro dos Vingadores) tem um embate gracioso com ela, em uma vibe meio Humanas X Exatas que funciona muito bem nos primeiros minutos de filme.

Assistir ao filme também vai tranquilizar fãs de “Blade Runner”: a sequência do clássico de ficção científica, prevista para 2017, será dirigida pelo mesmo Dennis Villeneuve. “Os suspeitos”, “Sicario”, “Homem duplicado” e “Incêndios”, os principais filmes assinados pelo canadense, têm muito em comum com “A chegada”. Ele não curte ir por caminhos fáceis, não é de tomar partido ou delimitar didaticamente quem é do bem ou do mal. Se você não quer ficar com cara de “quê?” no fim, então corra deste e dos outros filmes dele.

Amy Adams e Jeremy Renner em cena de 'A chegada' (Foto: Divulgação/Sony Pictures)Amy Adams e Jeremy Renner em cena de ‘A chegada’ (Foto: Divulgação/Sony Pictures)

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