Metallica mostra energia renovada e boas novas em show intimista

A próxima turnê do Metallica, que passa pelo Lollapalooza SP, tem tudo para ser melhor que as passagens anteriores pelo Brasil. A banda se mostrou afiada no show intimista de lançamento do disco “Hardwired… To self-destruct”, nesta sexta-feira (18), em Londres. O G1 presenciou a rara apresentação deles com público abaixo da marca de dezenas de milhares. Veja o vídeo acima.

O show aconteceu na House of Vans, espaço descolado de eventos culturais que fica embaixo da estação de metro de Waterloo, no centro de Londres. Para os fãs brasileiros entenderem a situação especial, foi como ver um show do Metallica em um Sesc de São Paulo ou no Circo Voador, no Rio. Os fãs, vendo a banda ali pertinho, no palco baixo, vibraram ainda mais que o normal em um show do Metallica. O evento foi fechado para fãs convidados e sorteados e jornalistas.

Além de “celebrar o nascimento de ‘Hardwired… To self-destruct'”, como disse o vocalista James Hetfield, eles cantaram parabéns para o guitarrista Kirk Hammett. Teve até torta na cara do guitarrista, que fez 54 anos. Mas Kirk merece parabéns mesmo é pelos ótimos arranjos de guitarra das músicas novas tocadas. Ele também tem um momento sozinho no palco, em um solo após “Sad but true”.

O show dessa sexta desvendou um mistério que poderia colocar a expectativa para a próxima turnê no teto ou no chão. É que o novo disco tem algumas ótimas músicas, mas um sério problema de edição. O álbum duplo tem outras faixas longas e desnecessárias, que poderiam ser vários banhos de água fria no show do Lolla. Só que o Metallica mostrou que não tem apego pelo repertório completo do disco novo. Ponto para eles.

Foram três músicas novas, exatamente as melhores do álbum: o thrash veloz “Hardwired” e duas que têm um quê de Iron Maiden nas guitarras: “Atlas, rise!” e “Moth into flame”. Na primeira, a voz de James falha um pouco – o mesmo rolou no final de “Master of puppets”. Tomara que ao longo da turnê ele aqueça mais a garganta, já que essa foi uma das únicas pequenas falhas de uma banda nos trinques.

500 fãs com eles

No mais, o show de Londres teve duas músicas de cada um dos melhores discos deles, de “Kill’em all” (1983) ao “Black album” (1991). Aí sim rolaram momentos especiais para os 500 sortudos. Porque a energia de “Master of puppets” concentrada em um lugar tão pequeno para o porte da banda é algo fora do comum. Isso os brasileiros não vão ver por enquanto, infelizmente.

A banda estava mais soltinha, vide o bolo na cabeça de Kirk Hammett. Mas o jeito imponente de James Hetfield não escondia que eles são muito maiores do que a casa de shows. O público não era pequeno o suficiente para parecer apenas plateia cenográfica – o show foi transmitido pela internet -, nem grande o suficiente para dar o clima de arena dos shows normais deles.

A House of Vans é um lugar bem hipster, com grafites e pista de skate. Antes do show, escolhi no cardápio da lanchonete interna um veggie burger, que seria entrada perfeita para uma banda indie bem passada. Só que no lugar estava o Metallica. No fim das contas, foi estranho, mas funcionou. Um dos grandes motivos foi o ótimo som do lugar, que valoriza o trabalho mais melódico de guitarras das músicas novas.

Por coincidência, o mesmo estranhamento de “ambiente meio hipster / show de metal” vai rolar de certa forma no Lolla. Por um lado, essa turnê vai mostrar que o Metallica continua uma boa banda de guitarras, independentemente do gênero, que, portanto, se encaixa bem em qualquer festival. Por outro, não espere que James Hetfield adapte a coisa nenhuma sua carinha mal-encarada e jeito de adolescente revoltado aos 53. Metallica é Metallica até debaixo da estação de metrô.

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