A ciência por trás de ‘Animais fantásticos e onde habitam’

Seminviso, um dos seres surreais de 'Animais fantásticos e onde habitam'; ele tem a capacidade de ficar invisível (Foto: Divulgação)Seminviso, um dos seres surreais de ‘Animais fantásticos e onde habitam’; ele tem a capacidade de ficar invisível (Foto: Divulgação)

Pássaros que criam tempestades quando voam, criaturas parecidas com toupeiras que encontram tesouros pelo cheiro, e “macacos” com poder de se tornar invisíveis são só algumas das espécies imaginárias que estão lotando salas de cinema no mundo todo.

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No filme “Animais fantásticos e onde habitam”, parte do universo da série “Harry Potter”, o personagem Newt Scamander usa a magizoologia, uma ciência estudada no mundo mágico da escritora J.K. Rowling, para ajudá-lo a entender essas estranhas criaturas.

Mas existe tal ramo da ciência no mundo “trouxa” (termo usado nos livros para se referir ao mundo sem magia)?

Talvez a criptozoologia – que usa antropologia, biologia e zoologia para identificar e descrever as criaturas do folclore – possa nos dar algumas pistas.

Anthony McAtamney, de 44 anos, é do Condado de Armagh, na Irlanda do Norte, diz ser um “cara comum” com “um interesse de toda uma vida no paranormal e na criptozoologia”.

Anthony McAtamney diz que sempre foi interessado no paranormal e em criaturas folclóricas (Foto: Arquivo pessoal)Anthony McAtamney diz que sempre foi interessado no paranormal e em criaturas folclóricas (Foto: Arquivo pessoal)

Ele trabalha com planejamento em uma empresa, mas se dedica ao estudo de animais folclóricos nas horas vagas.

“É um campo enigmático em que poucos cientistas se aprofundam e que não trata apenas de mitos e hipóteses”, afirma.

Ele cita o caso da lula gigante – que era chamada de Kraken na criptozoologia antes de ser formamente descoberta, fotografada pela primeira vez, em 2004, e renomeada pelos cientistas.

O principal heróis e influências de Anthony é o zoólogo britânico Karl Shuker, um dos expoentes da criptozoologia no mundo.

Em seu site, Shuker descreve o campo como “investigação científica de animais misteriosos cuja existência ou identidade ainda precisa ser formalmente verificada”.

Mas a criptozoologia até hoje não é reconhecida formalmente como ramo da zoologia, e muitos pesquisadores a consideram uma “pseudociência”.

“Na minha mente, Shuker sempre foi equilibrado”, diz Anthony. “Ele explicava o que era folclore e fato nos relatos de avistamentos [dos animais] sempre que possível. Mas ele também dava explicações alternativas sobre esses avistamentos.”

“Embora tenha uma abordagem científica, ele não ridiculariza [a área] abertamente – seu trabalho é provocador e é bem pesquisado.”

A criptozoologia por trás dos personagens

Do Erumpente (animal africano, semelhante ao rinoceronte, cujo couro repele feitiços) ao Deminguise (uma espécie de macaco que fica invisível quando quer), J.K. Rowling adicionou uma coleção de criaturas mágicas ao primeiro filme da franquia “Animais fantásticos”.

E Anthony vê paralelos entre estes seres imaginários e certos animais identificados na criptozoologia, conhecidos como criptidos.

Uma dessas criaturas é o Thunderbird (Pássaro trovão, em tradução livre), descrito no filme como “um pássaro americano mágico que é parente próximo da fênix” e que consegue “sentir o perigo e criar tempestades enquanto voa”.

Cena de 'Animais fantásticos e onde habitam' (Foto: Divulgação)Eddie Remayne interpreta o mago britânico Newt Scamander no filme ‘Animais fantásticos e onde habitam’ (Foto: Divulgação)

“As pessoas às vezes comparam os Thunderbirds com os relatos de que Pterossauros teria sido avistados nos Estados de Ohio e Novo México (nos EUA) e em Papua Nova Guiné”, diz.

“Entretanto, o Thunderbird é um criptido norte-americano e se baseia em lendas dos povos nativos americanos. O fato de ela [Rowling] fazer essa ligação com os indígenas [na história] é muito bom e indicativo de sua pesquisa”, afirma Anthony.

“Existem teorias de que os Thunderbirds eram grandes pássaros que, como as águias, usavam as tempestades para levantar correntes de ar quente que iriam auxiliá-los nos voos. Portanto, eles podem ter sido avistados seguindo em direção às trovoadas, e isso alimentou a ideia de que seu bater de asas cria trovões.”

Ele também vê paralelos entre o Deminguise e muitos criptidos parecidos com primatas, como o Pé Grande – além das semelhanças com os primatas já conhecidos.

“Há muitas espécies reais de macacos e especialmente de saguis que se parecem com ele.”

Um guia de criptozoólogos

James Newton, que trabalha como conselheiro sobre questões de deficiência em universidades, é também o fundador do Clube de Criptozoologia de Londres, e dá dicas aos novatos na área.

“Eu os aconselho a ler livros, e não buscar todo o seu conhecimento na internet – há um monte de boas fontes de informação na internet, mas você tem que peneirar um monte de lixo também”, disse à BBC.

“Eu também diria para pesquisarem materiais mais antigos”, sugere. “Muitos dos recursos contemporâneos – livros, programas de TV, etc. – são dinâmicos, mas têm pouca profundidade.”

“Se as pessoas estão realmente interessadas em zoologia em geral e na criptozoologia em particular, eu as aconselharia a fazer incursões sempre que possível na ciência tradicional e trabalhar para conseguir dar mais credibilidade a pelo menos certos aspectos do estudo.”

“Não fique envergonhado do seu interesse – isso é o que faz de você um indivíduo pensante e interessante”, afirma.

Fundador do Clube de Criptozoologia de Londres, James Newton diz que internet não é sempre a melhor fonte sobre criptozoologia (Foto: Arquivo pessoal)Fundador do Clube de Criptozoologia de Londres,

James Newton diz que internet não é sempre a

melhor fonte sobre criptozoologia

(Foto: Arquivo pessoal)

Conselhos aos criptozoólogos

James Newton, que trabalha como conselheiro sobre questões de deficiência em universidades, é também o fundador do Clube de Criptozoologia de Londres, e dá dicas aos novatos na área.

“Eu os aconselho a ler livros, e não buscar todo o seu conhecimento na internet – há um monte de boas fontes de informação na internet, mas você tem que peneirar um monte de lixo também”, disse à BBC.

“Eu também diria para pesquisarem materiais mais antigos”, sugere. “Muitos dos recursos contemporâneos – livros, programas de TV, etc. – são dinâmicos, mas têm pouca profundidade.”

“Se as pessoas estão realmente interessadas em zoologia em geral e na criptozoologia em particular, eu as aconselharia a fazer incursões sempre que possível na ciência tradicional e trabalhar para conseguir dar mais credibilidade a pelo menos certos aspectos do estudo.”

“Não fique envergonhado do seu interesse – isso é o que faz de você um indivíduo pensante e interessante”, afirma.

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