Air faz show de 20 anos em SP e diz ser fã de Chico Buarque

Air, dupla de música eletrônica. (Foto: Divulgação/Air)Air, dupla de música eletrônica. (Foto: Divulgação/Air)

Por culpa do mau gosto dos franceses para música, o Air não é considerado uma grande banda em seu país de origem. A avaliação é de Nicolas Godin, um dos integrantes do duo de pop eletrônico que na noite desta terça-feira (15) faz show em São Paulo. A apresentação celebra os 20 anos da dupla do hit “Sexy boy” (veja o serviço abaixo). Godin e Jean-Benoît Dunckel vêm para o Popload Gig com a turnê da coletânea “Twentyears”.

“Os franceses são melhores para avaliar moda ou culinária do que para música. Quero dizer, música não é tão apreciada quanto essas outras coisas, sabe?”, afirmou Godin em bem-humorada entrevista ao G1 por telefone. O assunto foi recentemente abordado em depoimento dele e do parceiro ao jornal britânico “The Guardian”. Falaram sobre o primeiro de seus oito discos de estúdio, “Moon safari” (1998), que já entrou em lista de melhores dos anos 1990. Outro trabalho conhecido é a celebrada trilha do filme “Virgens suicidas”. 

Mas Godin não parece exatamente incomodado com essa moral (baixa) entre seus conterrâneos. E, seja como for, ele próprio gosta de fazer paralelos entre música e culinária. Disse, por exemplo, que é fã da música brasileira – de Chico Buarque, em especial – porque ela lembra os pratos franceses. São sofisticados, mas parecem simples, teoriza.

Leia, a seguir, os principais trechos da conversa, ocorrida logo após Godin ter encerrado o que ele descreveu como “um almoço demorado”. Parecia realmente satisfeito e riu bastante. No fim, ainda pediu desculpa “pela ligação ruim”. “Estou no meio do nada aqui na França e não estava esperando a sua ligação”, falou, rindo (de novo). 

G1 – Na última vez em que esteve no Brasil, você disse que gostaria de conhecer Brasília, por ser fã do Oscar Niemeyer. Do que mais você é fã no país?

Nicolas Godin – Eu gosto do Brasil. Amo o país, minha mulher é brasileira. Então, ir até aí não envolve só fazer o show, tem uma coisa pessoal envolvida também. E, sim, fui para Brasília, visitei a cidade. Passamos algumas noites lá.

G1 – Quem mais você gostaria de conhecia no Brasil? Um músico, um jogador de futebol, sei lá.

Nicolas Godin – Ah, não, não um fanático por futebol. Sou mais ligado na música mesmo. Acho que o Chico Buarque seria um dos que eu gostaria de conhecer. Ele é um músico e um compositor incrível. Muito talentoso, um artista sensacional. Esses compositores brasileiros fazem um trabalho incrível, porque são muito sofisticados, mas a música soa fluida, sabe? Só que, quando você analisa as composições, elas são muito complicadas, têm um perfeccionismo. É como a comida francesa (risos).

G1 – Você consegue entender alguma coisa dos versos que o Chico Buarque canta ou seu elogio vale só para melodias etc?

Nicolas Godin –
Não entendo nada, estou falando só da melodia. Não entendo as letras dele.

G1 – Algumas pessoas dizem que ele é bom porque tem uma voz feminina ou algo assim.

Nicolas Godin –
Não tenho opinião sobre isso. Os cantores brasileiros são diferentes porque não cantam em volume alto. A voz deles… É como se estivessem expressando um sentimento, sabe? Tem um outro cara que é incrível também, o nome dele é… Desculpa, não consigo me lembrar. Acabei de sair de um almoço demorado (gargalhada).

G1 – O AIR acaba de lançar a coletânea ‘Twentyears’, para celebrar os 20 anos da banda. Como você compara o AIR hoje em dia e o AIR de 20 anos atrás?

Nicolas Godin –
Hoje em dia ficamos surpresos em ver jovens nos shows como víamos há 20 anos. Ficamos muito felizes com isso. É uma surpresa incrível que isso aconteça.

G1 – E quais são suas piores lembranças desses 20 anos?

Nicolas Godin –
Não sei, acho que vou deixar para pensar nisso quando for escrever minhas memórias. Sou muito novo para pensar a respeito disso (risos).

G1 – Como você definiria o som do AIR?

Nicolas Godin –
Seria como um frisbee nunca aterrissa. É o estilo da nossa música.

G1 – ‘Moon safari’ saiu em 1998, mas ‘Sexy boy’ é ainda muito lembrada. Quando compôs a música, você percebeu que ela seria uma favorita dos fãs?

Nicolas Godin –
Sim. Na noite em que gravamos a música, eu percebi que poderia se tornar uma música importante e que minha vida inteira iria mudar depois daquilo. Que nada mais seria como era antes.

G1 – Há pouco tempo, você falou para o jornal britânico ‘The Guardian’ que na França o AIR não é considerado uma banda grande porque os franceses ainda têm mau gosto para música. Como assim?

Nicolas Godin –
Somos grandes nos Estados Unidos e outros lugares, mas não na França (risos).

G1 – Como você se sente a respeito disso?

Nicolas Godin –
É bom, você pode ir para o estúdio trabalhar ninguém te enche o saco.

G1 – E essa história de que os franceses ainda têm mau gosto para música? O que seria ter um bom gosto para música?

Nicolas Godin –
Não sei. O que eu sei é que os franceses são melhores para avaliar moda ou culinária do que para música. Quero dizer, música não é tão apreciada quanto essas outras coisas, sabe?

G1 – Qual a principal diferença entre o AIR no estúdio e o AIR no palco?

Nicolas Godin –
No estúdio, fazemos o que queremos. No palco, fazemos o que podemos. É um conceito diferente.

G1 – No ano passado saiu uma versão de aniversário da trilha sonora que vocês fizeram para o filme ‘Virgens suicidas’ (1999). Qual a importância daquele disco para o AIR e como ele afetou a carreira de vocês?

Nicolas Godin –
Antes daquele disco, as pessoas pensavam que só fazíamos música para o mundinho fashion, que éramos uma banda fashion, sabe? A trilha de “Virgens suicidas” fez com que as pessoas no levassem a sério. Passaram a considerar que, ok, nós realmente éramos músicos. Provamos quem realmente éramos mesmo compositores.

Air no Popload Gig em São Paulo

Quando: terça-feira (15), às 22h

Onde: Audio Club (Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca)

Ingressos: a partir de R$120 (meia-entrada)

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