Corpo de Leonard Cohen é sepultado em Montreal, no Canadá

O corpo do cantor, compositor e poeta canadense Leonard Cohen foi enterrado na quinta-feira (10) em Montreal, no Canadá, em um jazigo familiar, reportaram nesta sexta (11) meios de comunicação canadenses.

 

LEONARD COHEN
Músico morreu aos 82 anos

O anúncio de seu falecimento foi feito depois de seu enterro, realizado na intimidade de seus amigos e familiares.

“Hineni, hineni, My Lord” (Aqui estou, meu senhor, em hebraico) e outras palavras da canção “You want it darker”, de seu último álbum, lançado em setembro, acompanharam a cerimônia em homenagem ao poeta e músico no cemitério judaico Shaar Hashomayim nas colinas de Mont-Royal, coração de Montreal, sua cidade natal.

Trechos desta canção “foram repetidos na quinta-feira durante o sepultamento de Leonard Cohen, onde já descansavam os restos de familiares”, segundo o comunicado do rabino Adam Scheier reproduzido pelo jornal “La Presse”.

“Era o desejo de Leonard ser enterrado segundo o rito tradicional judaico, junto de seus pais”, segundo o comunicado da congregação Shaar Hashomayim, implantada no bairro de Westmount, onde Leonard Cohen nasceu em 21 de setembro de 1934, no seio de uma família judia abastada. Ali também estão sepultados seus avós e bisavós, segundo veículos canadenses.

Leonard Cohen em foto de 20 de julho de 2008, no Festival de Benicassim (Foto: Diego Tuson/AFP)Leonard Cohen em foto de 20 de julho de 2008, no Festival de Benicassim (Foto: Diego Tuson/AFP)

Carreira literária

Leonard Norman Cohen nasceu em 21 de setembro de 1934, em Montreal. Ele aprendeu a tocar guitarra flamenca e formou um grupo chamado Buckskin Boys, de música country. Aos 17 anos, escreveu seus primeiros poemas, inspirado por autores como Federico García Lorca. Na mesma época, entrou na universidade McGill, em Montreal.

Antes de se tornar popular como músico, o artista publicou a coleção de poesias “Flowers for Hitler” (1964) e os romances “The favorite game” (1963) e “Beautiful losers” (1966).

Frustrado com as baixas vendas de livros e cansado de trabalhar na indústria de roupas de Montreal, ele visitou Nova York, nos Estados Unidos, em 1966. Lá, conheceu a cantora folk Judy Collins, que mais tarde incluiu duas de suas canções, incluindo o sucesso inicial “Suzanne”, em seu álbum “In my life”.

Seu círculo de amigos em Nova York incluiu ainda Andy Warhol, empresário, pintor e cineasta norte-americano.

Músico Leonard Cohen se apresenta nesta terça (18) no Madison Square Garden, em Nova York (Foto: Mike Lawrie/Getty Images/AFP)Músico Leonard Cohen em show no Madison Square Garden, em Nova York (Foto: Mike Lawrie/Getty Images/AFP)

Estreia na música

Cohen estreou na música com o disco “Songs of Leonard Cohen” (1967), considerado uma obra-prima. O álbum inclui canções como “So long, Marianne” e “Suzanne”.

Sua voz grave e profunda e seu elaborado estilo literário, que mistura reflexões românticas com temas espirituais e existenciais, abriram passagem na cena folk americana, na qual figuravam também Bob Dylan, Joni Mitchell, entre outros artistas.

Sua premiada carreira, uma referência para cantores de todas as gerações, inclui outros discos aclamados, como “Songs of love and hate” (1971), “I’m your man” (1988) e “Various positions” (1985), onde aparece “Hallelujah”, uma meditação sobre amor e sexo.

Cohen também escreveu músicas para Judy Collins, James Taylor, Willie Nelson e muitos outros. Durante os anos 1970, partiu na primeira das muitas e longas e intensas turnês que ele repetiria no final de sua carreira. “Uma das razões pelas quais estou em turnê é conhecer pessoas”, disse à revista “Rolling Stone” em 1971.

Leonard Cohen recebe prêmio Song Lyrics em Boston (EUA), em 2012 (Foto: REUTERS/Jessica Rinaldi)Leonard Cohen recebe prêmio Song Lyrics em Boston (EUA), em 2012 (Foto: REUTERS/Jessica Rinaldi)

Vida pessoal

O artista manteve uma relação com Suzanne Elrod durante a maior parte dos anos 70. O casal teve dois filhos: a fotógrafa Lorca Cohen e o músico Adam Cohen, que lidera o grupo Low Millions. Ele teve romances duradouros também com as cantoras Laura Branigan, Sharon Robinson, Anjani Thomas e Jennifer Warnes.

Embora nunca tenha abandonado o judaísmo, Cohen atribuiu ao budismo a redução de seus quadros depressivos.

Recentemente, especialistas questionaram a razão de o prêmio Nobel de Literatura ter sido concedido ao também músico Bob Dylan, e não para o artista canadense.

Reclusão budista

Cohen se retirou da cena artística nos anos 1990, e em 1996 ficou recluso em um monastério budista na região de Los Angeles. Voltou à música em 2001 por uma razão pouco espiritual, quando descobriu que sua agente, Kelley Lynch, havia roubado grande parte de sua poupança.

Em 21 de outubro, um mês após seu aniversário de 82 anos, Cohen lançou “You want it darker”, o último álbum de sua carreira, que permanece fiel aos seus arranjos musicais minimalistas. No disco, faz reflexões metafísicas sobre a morte. “Aqui estou, aqui estou / Estou pronto, meu Senhor”, diz na canção que dá nome ao trabalho.

O álbum anterior é “Popular problems”, de 2014, produzido por seu filho Adam Cohen e que faz referências às suas recordações de infância em Montreal, com coros da sinagoga Shaar Hashomayim.

Deixe uma resposta