Do Estácio ao rádio, passando por Noel: o samba conquista o público

A segunda reportagem especial do RJTV sobre os 100 anos do samba conta nesta sexta-feira (11) a história de um grupo de caras incríveis, que nasce na mesma época, vive no mesmo lugar e cria junto algo que fica na história.

De tempos em tempos acontece no mundo. Alguns exemplos: os sábios da filosofia na Grécia – Sócrates, Platão e Aristóteles; o inesquecível quarteto do rock na Inglaterra – Lennon, Paul, Ringo e George; os gênios italianos da arte – a Renascença.

 

SAMBA: 100 ANOS
Centenário do ritmo nascido e criado no Rio

No Rio, a renascença foi um pouco diferente: com pandeiro e tamborim. Trata-se do samba, artigo nacional.

Estácio, década de 30. Uma rapaziada mudou a história da música brasileira. Donga, João da Baiana, Ismael Silva, Bide, Marçal e muitos outros. A turma do Estácio fez uma revolução. Inventou um novo ritmo e fundou uma nova escola.

“’A primeira escola de samba surgiu no Estácio de Sá / Eu digo isso e repito e posso provar’. O Ismael contava que os vizinhos reclamavam do barulho e ele dizia: ‘ah! Deixa falar, deixa falar”, canta e conta o sambista Monarco, da Velha Guarda da Portela.

A cidade comprou o barulho e o samba se espalhou. Estácio, Salgueiro, Mangueira, Oswaldo Cruz, Matriz… E a Vila – “Que não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz samba também”, como diria o poeta.

É neste ponto que entra Noel Rosa. Talvez o fenômeno mais avassalador da música brasileira. Dono de uma vida curta e de um repertório vasto, morreu aos 26 anos. Deixou quase 500 músicas. O segredo desse feitiço? Pode-se dizer que além do imenso talento, Noel deu sorte de ser vizinho de uma generosa fonte de inspiração.

“Noel atravessava a Rua 8 de Dezembro e ficava lá em Mangueira. Seu Carlos dizia: ‘Monarco, ele ficava aqui sambando magrinho com a gente aqui’ (…) Ele adorava o Cartola, ele gostava daquela linhagem”.

A essa altura ele já tinha tudo. Ritmo, melodia, inspiração. O samba estava mais que pronto. Mas ainda faltava alguma coisa. Faltava um jeito de chegar a muita gente, em muitos lugares e ao mesmo tempo. Foi aí que algumas ondas –  quase estáticas – começaram a se agitar, viraram um maremoto. Começava a Era de Ouro do Rádio.

Turma do Estácio (da esquerda para a direita, de cima para baixo): Donga, João da Baiana, Ismael Silva, Marçal e Bide (Foto: Reprodução/Globo)Turma do Estácio (da esquerda para a direita, de cima para baixo): Donga, João da Baiana, Ismael Silva, Marçal e Bide (Foto: Reprodução/Globo)

Sambas ‘baratos’

Mas tanto sucesso, claro, tinha um preço. Na época, muitos cantores comprava seus sambas de compositores.

“O cantor queria um samba, aí ele ia em um desses compositores. O Francisco Alves fazia muito era fazer uma parceria. E ele sendo parceiro, ele dava uma vantagens pro cara. Ele dava favores. Às vezes ele não comprava, ele dava uns adiantos. Dava um ‘cala a boca’ aqui. Foi outro tempo, né? Que coisa incrível”, conta Martinho da Vila.

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