Max Cavalera diz que banda com Iggor tem músicos melhores que Sepultura

Max e Iggor Cavalera vão fazer shows no Brasil da turnê que comemora 20 anos do disco 'Roots', do Sepultura (Foto: Divulgação / Renan Facciolo)Max e Iggor Cavalera vão fazer shows no Brasil da turnê que comemora 20 anos do disco ‘Roots’, do Sepultura (Foto: Divulgação / Renan Facciolo)

Parece Sepultura, tem gosto de Sepultura, mas é outra coisa. Os shows de 20 anos do disco “Roots”, que ampliou os horizontes da banda de metal brasileira, não têm o nome original do grupo. O vocalista e o guitarrista, os irmãos Max e Iggor Cavalera, gravaram “Roots”, mas não são mais membros do quarteto. No entanto, são eles quem levam a turnê em dezembro a SP, Rio e BH, como parte da série de shows Honorsounds (veja serviço abaixo).

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Max Cavalera diz que tentou fazer os shows com a formação original, com o guitarrista Andreas Kisser e o baixista Paulo Xisto (que continuam no Sepultura), mas eles negaram. “Vendo o resultado do show, acho que nem precisa. Acho que essa banda é melhor que o Sepultura original. O baixista é melhor e o guitarrista é melhor”, diz.

Além de Max e Iggor, a banda que toca “Roots” na íntegra tem os norte-americanos Marc Rizzo (guitarra) e Johny Chow (baixo), que já trabalharam com ele no Soulfly e no Cavalera Conspiracy.

O vocalista original do Sepultura também não está feliz com o líder do Korn, Johathan Davis. À revista “Metal Hammer”, o americano disse que o Sepultura teria “roubado” o som do Korn em “Roots”, por usar a mesma afinação grave que o Korn já tinha introduzido no metal. “Foi bem tosco ele dizer isso. O som é totalmente diferente”, rebate. Veja a entrevista abaixo:

G1 – Vocês já fizeram esses shows de 20 anos do ‘Roots’ nos EUA. Mas, como um disco que buscou raízes brasileiras, fazer aqui será diferente?

Max Cavalera
Sim. Tocamos tudo mesmo, mais de uma hora de show, com músicas que nunca tínhamos feito no palco, como “Lookaway” e “Itsári”. Sentei com o Iggor e achamos a solução para recriar cada coisa ao vivo. Tinha instrumental, muita percussão. E o show tem o berimbau no começo de “Attitude”, a bateria com a parte dos índios. Ele faz a bateria e as vozes. E como já tocamos nos EUA, estamos afiados.

Max Cavalera (Foto: G1)

G1 – E os shows no Brasil podem ter os mesmos convidados especiais do disco?

Max Cavalera –
Queremos trazer sim, mas ainda vamos tentar armar. O Iggor já tinha falado de talvez convidar os índios Xavantes, pelo menos em SP. Até porque vai ser em uma data especial, 16 de dezembro, data em que fiz o último show com o Sepultura há 20 anos. Mas é o Iggor quem tem os contatos dos Xavantes. Estou com os dedos cruzados.

G1 – E o Carlinhos Brown, vocês falaram com ele?

Max Cavalera –
Ainda não, vamos ver se o Iggor faz esse contato. Ele que cuida disso. Eu sou bem primitivo. Não tenho iPhone, nem e-mail. Se você achar algum perfil meu em rede social é tudo falso. Não tenho nem celular. Para você ter uma ideia, ainda uso Walkman, com fita cassete. Vinil também. O máximo de tecnologia que uso é ouvir umas músicas no iPod.

G1 – Você teve algum contato com os índios depois das gravações de “Roots”?

Max Cavalera –
Só por carta. Quando eu estava formando o Soulfly, o Cipassé, o chefe da tribo, me mandou uns nomes na língua dos Xavantes [akwén] para batizarmos a banda. Achei superlegal, ele estava preocupado comigo, e mandou várias opções de nomes. Trocamos algumas cartas. Ele perguntou como eu estava, eu perguntei se eles estavam usando os instrumentos musicais que deixamos para a tribo. Ele disse que tinha bastante gente tocando. Mas foram só cartas. Espero voltar um dia à tribo. Quem sabe nessa viagem.

G1 – Com relação aos vocais, é um desafio fazer tudo de novo, competir com o fôlego do Max de 1996?

Max Cavalera –
Gosto desses desafios, é o que mantém a gente ocupado e afiado. Acho que minha voz está bem, poderosa, quem já viu os shows adorou. E gostaram do som da banda inteira. Do Marc Rizzo (guitarra) e do Johny Chow (baixo). O Iggor está tocando melhor hoje do que eu já vi ele tocar há muito tempo. Espero fazer com outros discos, mas com calma.

Max Cavalera (Foto: Reuters)

G1 – Qual seria o próximo disco?

Max Cavalera –
Eu gostaria de fazer o “Arise”, um dos preferidos dos fãs, mais metal mesmo. Mas não agora. Eu tenho que fazer o Soulfy novo, para comemorar os 20 anos de banda. Vamos fazer algo em cima disso. O Iggor também está ocupado com as coisas dele. Ano que vem a gente deve ficar nisso, depois nos juntamos de novo.

G1 – Esse show tem os membros mais conhecidos do Sepultura tocando o disco mais conhecido do Sepultura, mas não é do Sepultura. Não acha estranho?

Max Cavalera –
É e não é. A maioria das pessoas gostam de ouvir as músicas na voz original com a bateria do Iggor. Tentamos fazer reunião, mas não rolou nada. Aí desistimos de fazer a parada. Não quis que isso impedisse a homenagem. Como são 20 anos, é legal mostrar para a galera mais nova. Às vezes o músico tem que olhar para trás e ir para a frente. Esses shows vão influenciar trabalhos nossos do futuro.

G1 – Vocês tentaram fazer a turnê com a formação da época do disco [Andreas Kisser na guitarra e Paulo Xisto no baixo]?

Max Cavalera –
A gente tentou muitas vezes, mas não rola nada. Eles não querem fazer, são muito fechados. Acho que que nunca vai rolar, se depender deles.

Max Cavalera (Foto: Divulgação)

G1 – E de você?

Max Cavalera –
Por mim eu faria, acho que é um lance legal. Mas agora vendo o resultado desse show, acho que nem precisa. Acho que essa banda é melhor do que o Sepultura original. O baixista é melhor e o guitarrista é melhor. Então, para mim, está bom desse jeito.

G1 – O Jonathan Davis, do Korn, disse recentemente que vocês ‘roubaram o som’ deles, por causa da afinação mais baixa das guitarras em ‘Roots’, que teve o mesmo produtor do Korn, o Ross Robinson. Acha que ele exagerou?

Max Cavalera
– Exagerou sim. E não foi uma coisa legal de se falar. A influência é uma coisa importante. A gente influenciou muita gente, e vice-versa. É como se eu ficasse bravo com o Cannibal Corpse porque gravaram com o Scott Burns no lugar onde fizemos o “Arise”. Mas não acho que roubaram a gente. Acho que foi uma honra, porque eles queriam o nosso som.

É estranho também porque o Jonathan cantou no “Roots”. Então foi bem tosco ele dizer isso. Acho que não deveria ter falado, mas é a opinião dele. Para mim, não tem nada a ver. É o mesmo produtor e a gente fez aquela afinação, mas o som é totalmente diferente. E nós influenciamos o Korn também [Jonathan admite essa influência na entrevista]. É um lance legal, não tem nada a ver com plágio.

Honorsounds apresenta – 20 anos de ‘Roots’

Rio de Janeiro

Data: 14 de dezembro (quarta-feira)

Local: Imperator Centro Cultural João Nogueira – Rua Dias da Cruz, 170

Preços: R$ 180 (inteira)

Ingressos: Ingressorapido.com.br

Belo Horizonte

Data: 15 de dezembro (quinta-feira)

Local: Music Hall BH – Av. do Contorno, 3239

Preços: entre R$ 120 e R$ 185 (inteiras)

Ingressos: Ticketbrasil.com.br

São Paulo

Data: 16 de dezembro (sexta-feira)

Local: Tropical Butantã – Av. Valdemar Ferreira, 93 – Butantã

Preços: R$ 150 a R$ 230 (inteira)

Ingressos: Ticketbrasil.com.br

Além de Max e Igor Cavalera, o Honorsounds terá os seguintes shows em SP:

Sum 41 – 8 de dezembro

Scott Stapp – 14 de dezembro

Papa Roach – 15 de dezembro

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