Biografia de Zózimo Barrozo do Amaral é lançada em livraria do Rio

Foi lançado na noite desta quinta-feira (3) na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, Zona Sul do Rio, a biografia do colunista social Zózimo Barrozo do Amaral. Escrito pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, o livro conta a história de um dos maiores expoentes da coluna de notícias, gênero jornalístico tipicamente brasileiro.

“Enquanto houver champagne, há esperança” foi o título escolhido para a biografia do jornalista que por quase três décadas desnudou a sociedade brasileira em sua coluna diária – no jornal “O Globo” e no “Jornal do Brasil”.

“Seiscentas páginas diante das 200 mil notas que o Zózimo fez em 30 anos de jornalismo é até uma moleza, né?! Acho que a função, o trabalho dele era mais pedreira que esse. Todo dia tinha uma página em branco, a responsabildiade de dar um grande furo de reportagem, uma notícia espetacular. E fazia isso ainda com um texto maravilhoso, uma delícia de se ler. O Ancelmo Gois [colunista do ‘Globo] é que diz que ele era o ‘melhor texto brasileiro em três linhas’. E só quem escerve é que sabe a dificiuldade de se fazer um texto em três linhas”, declarou Joaquim (veja no vídeo acima).

Marcia Barrozo, primeira mulher de Zózimo, contou que ficou com o colunista por mais de 20 anos e que ele sempre tinha uma história para contar em casa.

“Toda mulher é curiosa também, então eu perguntava o que tinha rolado na coluna. Algumas pessoas não gostavam do que ele escrevia, tanto que ele acabou preso por conta de uma nota”, lembrou.

Para além de fazer registros sociais, Zózimo oferecia em seus textos notícias relevantes nas áreas de economia, política e esporte – sendo esta a sua maior paixão. Como ninguém, narrou as mudanças ocorridas na elite carioca, angariando para si muitos amigos e, também, muitos desafetos.

“É uma inspiração para todo jornalista. Porque ele conseguia fundir isso, a notícia e um texto muito delicioso, muito refinado e com humor. Ele atingia todo tipo de leitor. Ele tinha um jornal dentro de um jornal. É uma ispiração e ao mesmo tempo é uma maldição. Porque todo mundo, todos os jornais querem ter um Zózimo Barroso do Amaral. Ele inventou um formato delicioso de se transmitir e ler notícias. Mas, infelizmente, Zózimo só tinha um”, disse o autor da biografia.

Fila de autógrafos no lançamento do livro Enquanto houver champagne, há esperança” (Foto: Patrícia Teixeira/G1)Fila para autógrafos no lançamento do livro (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Muitos jornalistas, amigos e leitores prestigiaram o lançamento na noite desta quinta-feira. Entre ele, o também colunista e escritor Artur Xexéo. “Um dos textos mais brilhantes do jornalismo brasileiro”, resumiu. “Era um bon vivant, um cara alegre, um cara que não perdia nunca a piada. Sempre muito divertido, sempre muito atento. Às vezes um comentário seu poderia virar uma nota. Ele tirava nota do nada.”

Recordações

Leiloca Neves, astróloga e ex-Frenética, revelou que ainda tem um mapa astral de Zózimo. “Ele era uma unanimidade. Todos o amavam. Ele é um geminiano, inteligente, sensível e com humor sofisticadíssimo. No mapa dele, há anos, estava que ele seria uma pessoa condenada ao sucesso. Tanto que tem muitos seguidores de seu estilo”.

Diante de tantas memórias e histórias engraçadas, a socialite Glorinha Paranaguá relembrou um nota de Zózimo que revelava que ela tinha intermediado um contato entre o duque e a duquesa de Windsor com o cirurgião Ivo Pitanguy.

Zózimo fez barulho logo no início de sua carreira, ao despertar a atenção e desconfiança da censura durante a ditadura militar. Se tornou o primeiro colunista social a ser preso no país durante os anos de chumbo.

Figura que ilustrou com frequência a coluna de Zózimo, a socialite Mirtia Gallotti serviu como fonte para algumas páginas do livro. “Eu era muito amiga do Zózimo e tenho uma admiração muito grande pelo Joaquim. Pior que na hora em que Joaquim ia conversar comigo para o livro, eu não lembrava de quase nada, esse é o problema”, divertiu-se.

A publicação narra a trajetória de Zózimo desde a infância, passada no então pacato bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul carioca. O leitor vai descobrir que ele iniciou sua carreira jornalística quase que por acidente, vindo a conquistar sua primeira coluna assinada aos 27 anos. Morreu aos 56 anos, em 1997, deixando imortalizada em sua obra a forma peculiar e espirituosa com a qual observava a vida carioca.

A biografia é lançada pela editora Intrínseca, que em 2013 convidou o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos para a empreitada de retratar a história de Zózimo. Contemporâneo de seu biografado, Santos é repórter e cronista e trabalhou com o colunista nas duas redações.

Santos é autor de diversos livros de crônicas. Publicou ainda “Feliz 1958 – O ano que não devia terminar” e as biografias de Antônio Maria e Leila Diniz.

Biografia do colunista social Zózimo Barrozo do Amaral é assinada pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos (Foto: Reprodução/Divulgação)Biografia do colunista social Zózimo Barrozo do Amaral é assinada pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos (Foto: Reprodução/Divulgação)

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