Mostra do Filme Livre exibe 175 obras a partir desta quarta no CCBB do DF

Cena de "Todas as cores da noite", exibido na Mostra do Filme Livre (Foto: Beto Martins/Divulgação)Cena de “Todas as cores da noite”, exibido na Mostra do Filme Livre (Foto: Beto Martins/Divulgação)

O Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília recebe entre 13 de abril e 2 de maio a 15ª edição da “Mostra do Filme Livre”, considerada o maior festival do cinema independente do Brasil. Serão exibidas gratuitamente 175 produções cinematográficas de todos os gêneros e formatos de  várias partes do país. As sessões acontecem todos os dias, das 13h às 21h.

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O Distrito Federal está representado no evento com o longa de terror trash “A capital dos mortos II”, de Tiago Belotti. A programação prevê também debates sobre a sétima arte e uma oficina de gif.

Para esta edição, 1.342 filmes foram inscritos, sendo 90% deles produzidos de forma independente. A maior parte das obras escolhidas é feita sem apoio de empresas estatais. Muitas têm a Mostra do Filme Livre como a única exibidora.

O festival acontece também no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte e também em um circuito de Cineclubes Livres, que em 2015 chegou a 60 cidades. As datas variam de acordo com o local.

“De curtas infantis, alguns feitos por crianças, a longas de horror, sem esquecer os documentários e as videoartes e abstrações que passam em loop nas Cabines Livres, tem de quase tudo na MFL. E olha que apenas 15% dos inscritos foram selecionados. São quase 200 filmes que mostram a versatilidade, a potência e a poesia do cinema possível brasileiro”, afirma Guilherme Whitaker, um dos curadores da Mostra, ao lado de Gabriel Sanna, Chico Serra, Diego Franco, Ricardo Mansur, Christian Caselli e Pedro Dantas.

Cena do curta "Dinossauro Rex", atração da "Mostrinha", da MFL, em cartaz no CCBB de Brasília (Foto: Reprodução)Cena do curta “Dinossauro Rex”, atração da “Mostrinha”, da MFL, em cartaz no CCBB de Brasília

(Foto: Reprodução)

Segmentos

Os filmes são exibidos em sessões diversas, divididas pela curadoria sob nomes como “Longas livres”, “Panoramas livres”, “Mundo livre”, “ Pílulas” e “Outro olhar” (veja a programação completa).

Um dos destaques é “Mostrinha”, com produções para o público infantil. São 13 curtas, entre eles “Dinossauro rex”, feito por crianças do 4º e 5º anos da escola Mariano Ferreira de Narazeth, no interior do Espírito Santo. Os personagens foram produzidos com massinha de modelar e a animação é uma parceria com o instituto Marlin Azul.

Rapper Sabotage foi morto a tiros em 2003 (Foto: Maurício Piffer/Folha Imagem/Arquivo)Rapper Sabotage, tema de documentário

(Foto: Maurício Piffer/Folha Imagem/Arquivo)

Na “Cabine livre” serão exibidos loop de obras de videoarte. Na mostra “Coisas nossas”, o público pode ver filmes feitos pelos curadores e pela produção da MFL. A sessão “Caminhos” apresenta filmes realizados em oficinas e escolas de cinema.

A plateia pode conferir a obra dos cineastas Cristiano Burlan, Pedro Dantas, Louise Botkay e os Autores Livres na mostra “Destaques”, que traz curtas e longas de diretores já homenageados e/ou premiados nas edições anteriores do evento.

Pela primeira vez, a mostra selecionou filmes de países da América Latina. Uma das novas sessões da MFL é “Especial Chile em cine”. Outra sessão inédita em Brasília é a “Biografemas”, com filmes que traçam um diálogo com obras de artistas em diferentes tempos e linguagens.

“Territórios” mostram produções que debatem questões locais muito específicas. A sessão “Sonoras” lança um olhar peculiar sobre a música brasileira contemporânea.

Cena do filme "Noite escura de São Nunca" (Foto: Divulgação)Cena do filme “Noite escura de São Nunca” (Foto: Divulgação)

“A capital dos mortos II” é a segunda parte da saga de terror trash do cineasta Tiago Belotti. Após a sessão do dia 30, o autor participa de um debate aberto ao público com mediação de Christian Caselli, curador da mostra e expert em cinema trash.

No dia 1º de maio, o público participa de um debate sobre “os limites da insanidade”, após exibição do documentário “A loucura entre nós”, de Fernanda Fontes Vareille. Participam o psicanalista Marcelo Veras, membro da Escola Brasileira de Psicanálise e autor do livro homônimo ao filme, e Eva Falheiro, coordenadora do Movimento Pró-saúde Mental do DF e diretora da Inverso. O evento é mediado pela psicanalista Giovanna Quaglia, membro da Delegação Geral GO/DF e da Escola Brasileira de Psicanálise.

São Paulo é o estado com mais filmes selecionados da MFL. São 55 produções, contra 49 do Rio de Janeiro – que ficou em segundo lugar. O festival recebeu inscrições de filmes de 25 unidades da federação, da Argentina, Chile e Espanha.

Dos 175 selecionados, 36 filmes tiveram apoio estatal direto e 33 foram feitos em escolas de cinema. O custo de produção dos filmes selecionados foi de R$ 3.372.330 (média de R$ 17 mil por filme). “Muitos não preenchem este item na inscrição, então com certeza tais dados são menores do que a realidade”, ressalta Whitaker.

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Um dos destaques deste ano é o filme “O rosto da mulher envidada”,  de Renato Sircilli e Rodrigo Batista. O filme retrata dramas de dez mulheres, todas chamadas Helena Fracasso, interpretadas pelas mães dos diretores e da equipe de produção. Elas têm de lidar com a decadência financeira e a busca por espaço no mercado  de trabalho.

“Sabotage: maestro do canão” é um dos documentários da mostra. A obra traz depoimento de pessoas que conviveram com o musico, uma das maiores vozes do hip hop brasileiro ao expor em sua arte a vida na rua, nas favelas e a criticar a desigualdade social.

Outros destaques são “O signo das tetas”, “A seita”, “Subsolos”, “Outubro acabou”, “Escape from my eyes”, “Carruagem Rajante”, “Parque soviético” e “Ruby e monstro”.

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