Aos 35 anos, Roupa Nova afirma que novo álbum vai além do romantismo

Com 35 anos de carreira, Roupa Nova lança novo trabalho com 19 canções (Foto: Giul Pera )Com 35 anos de carreira, Roupa Nova lança novo trabalho com 18 canções (Foto: Giul Pera)

Com letras e melodias que falam sobre o amor, o Roupa Nova, que completa 35 anos de carreira em 2016, tenta quebrar o paradigma de que a banda só tem versos românticos. Em tempos de intolerância e relacionamentos efêmeros, em entrevista ao G1 os integrantes Nando e Ricardo Feghali falam da importância deste estilo musical, mas também garantem que o grupo não é feito só deste tipo de canção. Eles se apresentam neste sábado (2) em Indaiatuba (SP).

“Acho que o amor é sempre muito legal. Hoje as coisas são mais rápidas, é verdade, mas ainda existe espaço para o amor eterno. Quando você se aproxima de uma carreira longa, significa que você tem fôlego e que você corre risco de sempre ser pensado pelo que já fez e eu não quero isso. Quero ser pensado pelo que já fiz, pelo que estou fazendo e pelo que vou fazer no ano que vem, porque ainda não acabei”, explica Nando, que é baixista do grupo.

Roupa Nova completou 34 anos de carreira em agosto deste ano (Foto: Jamile Alves/G1 AM)Baixista Nando fala sobre a evolução do grupo

nesses 35 anos (Foto: Jamile Alves/G1 AM)

Segundo o músico, o novo trabalho do grupo “Todo amor do mundo”, vai além do romantismo e aborda temas como sexualidade, política, religião e o uso de drogas através da história de um menino que vive nos anos 60, contada em um livro ilustrado e dois CD’s, com nove faixas cada.

A história, que foi escrita pelo próprio Nando, traz um pouco do que cada um dos integrantes viveu nessa época. No entanto, o baixista contou com a ajuda de outros artistas para escrever o projeto, como Nelson Motta, Guilherme Arantes, Humberto Guedes, entre outros letristas.

O instrumentista Ricardo Feghali também destaca a importância do novo trabalho para a quebra desse paradigma de que a banda só faz sucessos românticos. “O Roupa Nova nunca foi um grupo alienado. A gente tem as músicas de balada, mas a gente sempre teve outras coisas, falando de política e questões sociais. Esse trabalho veio para consagrar essa vontade que a gente tinha de falar sobre a vida, sobre coisas que acontecem no cotidiano e que uma pessoa pode passar”, ressalta.

Acho que a cada segundo que passa, você aprende um pouco. Nossa cabeça é de grupo, não tem uma liderança. Nós somos seis pessoas que podem participar de tudo a todo o momento”
Feghali

Os 35 anos

Questionados pelo G1 sobre a evolução da banda durante os 35 anos de carreira, Feghali e Nando deixam claro que o principal segredo foi a união do grupo.

“Acho que a cada segundo que passa, você aprende um pouco. Nossa cabeça é de grupo, não tem uma liderança. Nós somos seis pessoas que podem participar de tudo a todo o momento”, afirma Feghali.

Mesma opinião tem o baixista Nando. “Hoje a gente consegue perceber que 35 anos de uma carreira ininterrupta, sem trocar ninguém, sem parar de trabalhar, num país desse aqui, onde o ídolo de quatro anos atrás é o ladrão de hoje, o cara que está sendo cuspido hoje, é muito difícil. Hoje a gente se respeita e não admite qualquer coisa”, afirma.

Nando também explica que outra razão para a longa carreira é o compromisso com os fãs. Segundo o artista, diferente de outras bandas brasileiras, que mal pagam os funcionários e faltam aos shows, o grupo se compremeteu desde início da carreira até hoje.

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“O Roupa Nova não falta, o Roupa Nova toca doente, o Roupa Nova dá o coro em qualquer condição, porque teve gente que pagou o ingresso. A pessoa que está sentada em uma mesa, ou que está em pé, ou está olhando de longe ou de perto, merece da gente todo o nosso empenho e respeito”, ressalta.

União e foco

Além disso, Nando explica também que as criações do grupo são feitas em conjunto. “No Roupa Nova todo mundo cria, todo mundo tem as suas composições, todo mundo tem as suas ideias e elas não necessariamente são iguais. A gente pensa musicalmente de formas diferentes. A evolução que eu vejo está exatamente aí”, destaca.

Roupa Nova (Foto: Marcos Hermes Agência Lens/Divulgação)‘Todo amor do mundo’ é o novo trabalho do grupo

(Foto: Marcos Hermes Agência Lens/Divulgação)

Ainda segundo o músico, o resultado dessa união aparece em “Todo amor do mundo”.

“Imagina que responsabilidade não passar nada novo para essas pessoas, não falar nada e ficar vivendo dos sucessos antigos?”, afirma

Novos planos

Sobre os novos projetos da banda, Feghali afirma que o grupo está sempre em atividade, com novas ideias para o futuro.

O instrumentista revela ainda que novos projetos já estão em andamento. “A gente nunca para. Nunca paramos. Fazemos 120 shows por ano e a cada minuto que passa, a gente tem uma coisa nova para fazer. Temos o ‘Todo amor do mundo’ agora, mas já temos também outras coisas na cabeça e outros projetos. Não vamos ficar vivendo só do que a gente conseguiu até hoje. Queremos coisas inéditas. Estamos sempre aprendendo e fazendo coisas diferentes”, finaliza.

Serviço

Show “Todo amor do mundo” – Roupa Nova

Quando: sábado (2)

Horário: 22h

Onde: Clube 9 de Julho, na Avenida Presidente Vargas, 2000, em Indaiatuba

Preço: ingressos custam a partir de R$ 75

Grupo fala da evolução conquistada durante os 35 anos de trabalho e sucesso (Foto: Giul Pera)Grupo fala da evolução conquistada durante os 35 anos de trabalho e sucesso (Foto: Giul Pera)

 


 

 

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