‘Em par’, Lenine lança ‘Carbono’ em show na ‘cosmopolita’ Brasília

VIRADA CULTURAL - Domingo (1h15) - Cantor Lenine se apresenta no Palco Júlio Prestes, no Centro de São Paulo (Foto: Fábio Tito/G1)O cantor Lenine durante show de lançamento de “Carbono” em São Paulo (Foto: Fábio Tito/G1)

Em “Castanho”, faixa que abre seu novo disco, Lenine fala sobre a ideia de não chegar aqui sozinho, de “ser em par”. O conceito de trajetória, de caminho e de parcerias permeia todo o trabalho. “Carbono” é o oitavo álbum de estúdio do músico pernambucano, que se apresenta neste sábado (29), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, às 21h30.

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A escolha do nome não foi por acaso. O artista buscou falar sobre o resultado da junção de coisas distintas. É o carbono, que dá origem ao diamante e ao grafite.

“É a alotropia, essa condição maravilhosa, esse elo que liga elementos que não se comunicam, isso de se ligar a qualquer coisa. Isso, de alguma forma, define o que eu faço”, diz Lenine.

“Carbono” tem 11 composições, todas assinadas por Lenine e algum parceiro, exceto “Quem leva a vida sou eu”, feita só pelo músico. Com o filho João Cavalcanti, que participa da gravação, o cantor compôs “A causa e o pó”. Bruno Giorgi, outro filho do cantor, é um dos compositores da faixa instrumental “Undo”.

O que eu sou, eu sou em par.

Não cheguei sozinho.

O show de Brasília deve ter as faixas do novo álbum e músicas de álbuns anteriores, como “Hoje eu quero sair só”, “Paciência”, “Dois olhos negros” e “Jack soul brasileiro”. “Há um momento no show em que eu abro uma janela e as pessoas ganham no grito.”

O álbum tem parcerias com diversos artistas, como a banda Nação Zumbi, o violeiro rock’n’roll Ricardo Vignini, Carlos Posada, da banda Posada e o Clã, que assina a co-autoria de “Castanho”, o percussionista “velho amigo” Marcos Suzano e com o mestre Letieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz.

Lenine e banda apresentam novo CD Carbono (Foto: Flora Pimentel)Lenine e banda (Foto: Flora Pimentel)

Letieres colocou seus músicos dentro do Teatro Castro Alves, em Salvador, para registrar “À meia noite dos tambores silenciosos”. Com outra orquestra, a do holandês Martin Fondse, Lenine fez algo ainda mais diferente. Ele dirigiu toda gravação de “O universo na cabeça do alfinete” pelo Skype, com o maestro europeu em seu país de origem.

É a alotropia, essa condição maravilhosa, esse elo que liga elementos que não se comunicam, isso de se ligar a qualquer coisa. Isso, de alguma forma, define o que eu faço”
Lenine,

cantor e compositor

“É cada canção, eu levo em consideração as possibilidades, vendo as mecânicas do fazer. Você começa a intuir as coisas, [acontece] a experimentação na hora do estúdio. Eu me permito isso”, afirma o cantor.

A capa do disco é obra do artista plástico e designer gráfico João Carlos Lollo. Não por acaso, o desenho de Lenine que ilustra o álbum é feito com grafite, produto do carbono.

“Quero estar por perto de gente bacana, ver como funciona, ter isso da experimentação. Por isso esse disco traz novos parceiros e reafirma outros.”

O novo trabalho chega ao mercado quatro anos depois de “Chão”, que dialogava com música concreta e artes plásticas, segundo Lenine. “Se deixassem, a gente ficaria com o ‘Chão’ eternamente. Mas chega uma hora que você quer fazer outra coisa, foram três anos de espetáculo.”

VIRADA CULTURAL - Domingo (1h15) - Cantor Lenine se apresenta no Palco Júlio Prestes, no Centro de São Paulo (Foto: Fábio Tito/G1)O cantor Lenine e sua banda se apresentam na Virada Cultura Paulista (Foto: Fábio Tito/G1)

“Extensão do corpo”

Como tantos músicos que nasceram no Nordeste brasileiro, Lenine teve o primeiro contato com instrumentos a partir da percussão. A bateria foi a primeira ferramenta musical, mas foi com o violão, com uma forma peculiar e sofisticada de dar o ritmo ao som dele, que houve maior identificação.

O violão se transtormou na extensão do meu corpo, não deixou mais para ninguém. Ele podia induzir as frequências que os outros instrumentos produziam”
Lenine,

cantor e compositor

“O violão se transtormou na extensão do meu corpo, não deixou mais para ninguém. Ele podia induzir as frequências que os outros instrumentos produziam”, afirma o músico.

O artista diz que a sofisticação do som, repleto de elementos de diversas vertentes da música brasileira, do rock e de outros gêneros, muitas vezes foi considerada “música difícil”.

“Eles diziam isso e eu querendo simplificar. Mas existe um pulo do gato aí. Enquanto todos procuram refinar o instrumento, eu quis os outros sons que isso [violão] pode me permitir, o arranhar no traste, aquela coisa percussiva. Essa coisa foi por causa da imersão na composição, instintivo, não foi procura”, diz.

A carreira de Lenine teve início no final dos anos 1970 e o primeiro disco foi “Baque solto”, em parceria com Lula Queiroga, gravado em 1983. O CD de estreia solo de fato veio 10 anos depois, com “Olho de peixe”. Segundo o próprio cantor, o trabalho é o mais importante porque mostrou que ele poderia ir para qualquer lugar, ainda que em par.

Nascido em Recife, o cantor diz que é melhor compreendido no Nordeste. “A alma nordestina compreende, pelos signos, símbolos do que eu faço. Quando eu digo ‘tô aperreado’, é diferente do Sul do país, é a compreensão além do vernacular.”

Lenine (Foto: Paula Cavalcante/ G1)Lenine (Foto: Paula Cavalcante/G1)

E Lenine diz que parte do Nordeste – e partes de todo o país – estão na capital federal, onde ele se apresenta neste sábado. “Brasília é bacana, tem um público de uma pluralidade imensa. A cidade é uma válvula de várias estações culturais. E tem a melhor comida de todos os lugares. Esse cosmopolitismo de Brasília é ótimo.”

Lenine – lançamento de ‘Carbono’

Data: sábado (29)

Horário: 21h30

Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães

Classificação Indicativa: 14anos

Informações: (61) 3364-0000

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