‘Narcos’: série de Wagner Moura no Netflix é boa, mas não vicia – G1 já viu

Pablo Escobar foi um empresário que conheceu enorme sucesso durante os anos 1980 e 1990 com a exploração altamente agressiva de uma commodity até então pouco explorada. Em seu reinado, ele alcançou a lista dos maiores bilionários do mundo da “Forbes” e transformou a cocaína de artigo raro nos EUA a um problema de saúde pública. Ironicamente, “Narcos”, série que estreia nesta sexta-feira (28) no Netflix sob o comando do brasileiro José Padilha e protagonizada por Wagner Moura, lembra mais um outro psicotrópico. Assim como a maconha, a produção até serve para um barato momentâneo, mas tem baixo índice de dependência química. Veja as drogas presentes na série no vídeo acima.

 

saiba mais

Escalar um brasileiro que não sabia falar espanhol para o papel de um dos colombianos mais conhecidos da história podia ser um grande erro, mas o que Padilha perdeu em fluência – mais sobre isso abaixo -, ganhou em talento.

É inegável que Wagner Moura é um dos grandes nomes da atual geração no Brasil, e constrói um Escobar muito distante do Capitão Nascimento que o tornou internacionalmente conhecido (criado em outra parceria com o diretor). Em suas mãos, o traficante se mostra ainda mais perigoso que o antigo líder do Bope, mas muito mais relaxado e controlado.

Sua maior fraqueza se apresenta na falta de domínio sobre o espanhol, muito distante daquilo que seria esperado de um colombiano de berço. Mesmo alguém com pouca familiaridade com o idioma, como este que vos fala, pode se incomodar com os “pô” e “né” soltos inadvertidamente pelo ator.

Wagner Moura vive o traficante colombiano Pablo Escobar em 'Narcos' (Foto: Reprodução/Trailer)Wagner Moura vive o traficante colombiano Pablo Escobar em ‘Narcos’ (Foto: Reprodução/Trailer)

Com uma história tão interessante quanto a do narcotraficante, que nunca se esqueceu de suas origens humildes e chegou próximo de seu sonho de se tornar presidente da Colômbia, Padilha acaba se perdendo um pouco em suas escolhas na narrativa. Ao longo dos três primeiros episódios, disponíveis para a imprensa, o cineasta parece dividido entre apresentar para o público um drama policial ou um documentário dramatizado.

Talvez por isso, a série perde grande parte do potencial de vício presente nas grandes produções Netflix. A falta de coesão de sua linguagem prejudica o resultado final e dificulta a criação do desejo do público por diversos capítulos em um só dia.

“Narcos” tem a qualidade evidente dos demais produtos com o selo do serviço de conteúdo sob demanda e se beneficia do forte elenco encabeçado por Moura, que conta ainda com Pedro Pascal (“Game of thrones”) e Juan Pablo Raba (“Los caballeros las prefieren brutas”). É possível, assim, que se repita o que já aconteceu com “Sense8” e “Unbreakable Kimmy Schmidt”, outras duas séries que apresentaram começos instáveis mas que se recuperaram ao longo do caminho. O futuro ainda pode ser próspero para Pablo Escobar.

Deixe uma resposta