Jonathan Franzen diz que quis adotar órfão iraquiano para ‘entender jovens’

6 de julho - O americano Jonathan Franzen, considerado um dos principais escritores da literatura dos EUA na atualidade, participa de mesa da Flip (Foto: Flavio Moraes/G1)O americano Jonathan Franzen, considerado um dos principais escritores da literatura dos EUA na atualidade, participa de mesa da Flip 2012 (Foto: Flavio Moraes/G1)

O premiado escritor americano Jonathan Franzen, de 56 anos, disse ao jornal britânico “The Guardian”, em entrevista publicada na sexta-feira (21), que anos atrás cogitou adotar um órfão de guerra iraquiano para compreender melhor a nova geração. O plano só não foi adiante porque o autor de best-sellers como “As correções” e “Liberdade” foi convencido por seu editor a desistir.

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De acordo com o “Guardian”, Franzen estava com pouco menos de 50 anos quando sentiu que, apesar de ter uma carreira de sucesso e um bom relacionamento, tinha raiva da geração mais jovem.

“Oh, foi loucura, a ideia de que Kathy [Chetkovich, sua namorada, também escritora] e eu adotaríamos adotar um órfão de guerra iraquiano. A ideia toda durou umas seis semanas, talvez”, afirmou.

“Uma das coisas que me botou isso na minha cabeça foi um senso de alienação vindo da geração mais jovem. Eles não pareciam ser, politicamente, do jeito que os jovens deveriam ser nessa idade. Eu achava que as pessoas deveriam ser idealistas e raivosas. E eles pareciam meio cínicos, não muito raivosos. Ao menos, não de um jeito acessível para mim.”

Quem o fez abandonar o plano foi o editor Henry Finder, da revista “The New Yorker”. Em lugar da adoção, Finder propôs um encontro com universitários. “Isso me curou de minha raiva das pessoas mais jovens”, justificou Franzen ao jornal.

Ataque das feministas

Na entrevista ao “Guardian”, Franzen também falou sobre as acusações de machismo e sexismo de que tem sido alvo. O autor diz que se sente no papel de “vilão antimulheres” atribuído a ele por certas feministas. “Não há realmente nada que eu possa fazer, a não ser morrer – ou, eu suponho, me apostentar ou nunca mais escrever”, comentou.

O nome de Franzen tem sido citado com frequência quando se discutem preconceitos de gênero na literatura. A reportagem cita um artigo do site Bustle publicado na semana passada que perguntava: “Jonathan Franzen é sexista?”. O texto destacava “cinco vezes que ele [Franzen] fez comentários questionáveis sobre mulheres”.

Frazen defende-se: “Eu não sou um sexista. Não sou alguém que anda por aí dizendo que homens são superiores, ou que escritores homens são superiores. Na verdade, eu me empenho para celebrar o trabalho de mulheres que, na minha opinião, não têm a devida atenção. Nada disso é suficiente, nunca. Porque é preciso haver um vilão. É meio assim: não tem jeito de eu me tornar algo que não um homem”.

Em seu próximo e aguardado romance, “Purity”, que sai em setembro, há uma personagem descrita como “fanática feminista”. Dentre outras coisas, ela obriga o marido a urinar sentado para atenuar sua masculinidade. O escritor prevê que isso vai “enfurecer suas críticas”.

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