Festival ‘Visões periféricas’ faz homenagem ao funk do Rio

Elekô, 'a experiência audiovisual de fazer-se e afirmar-se na loucura das condições de ser negra e mulher', descrevem os produtores (Foto: Divulgação/Festival Visões Periféricas)Elekô, ‘a experiência audiovisual de fazer-se e afirmar-se na loucura das condições de ser negra e mulher’, descrevem os produtores (Foto: Divulgação/Festival Visões Periféricas)

Começa nesta terça-feira (18) no Oi Futuro Ipanema, na Zona Sul do Rio, o festival “Visões periféricas”, com produções audiovisuais de diferentes formatos, linguagens, duração e narrativas feitas nas periferias brasileiras de forma independente. O festival, que vai até domingo (23), abre com a estreia do documentário “Funk Brasil”.

O evento, que segundo os organizadores é o único do gênero no Brasil e referência na América Latina, tem como objetivo compor um painel sobre a noção de periferia e mostrar o tamanho e a diversidade do país por meio da produção audiovisual.

Além da exibição de filmes, o festival tem debates sobre diferentes temas que formam o universo das periferias no seminário “Deseducando o olhar”.

Entre 451 inscritos, foram selecionados 81 filmes, distribuídos em quatro mostras competitivas e três mostras informativas (não competitivas). A curadoria é de Emílio Domingos, diretor de “Batalha do passinho”, e André Sandino, cineclubista e curador de festivais de cinema. Conheça toda a programação no site do festival. A entrada é franca.

Cartaz do filme colombiano 'Ecwke quer dizer beija-flor' (Foto: Divulgação/Festival Visões Periféricas)Cartaz do filme colombiano ‘Ecwke quer dizer

beija-flor’

(Foto: Divulgação/Festival Visões Periféricas)

A 9ª edição do festival tem representantes dos estados de Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Amazonas, Alagoas, Bahia, Sergipe e Paraíba. Para os organizadores, isso mostra a abrangência e a importância do festival entre os produtores independentes e escolas de audiovisual do país.

A participação internacional fica por conta da Mostra Colômbia, que exibe curtas produzidos nas periferias do país. Uma delegação de 18 produtores de audiovisual da cidade de Medellín estará presente no Oi Futuro Ipanema.

“O Visões Periféricas é o único com este perfil no Brasil e é realizado com regularidade há quase uma década, o que não é algo trivial. Mostra a produção destes territórios e valoriza os realizadores, independente de onde sejam. Nosso interesse é visibilizar uma estética viva, real e íntima das periferias e isto acaba sendo o nosso diferencial”, explica Marcio Blanco, idealizador do festival.

Homenagem ao funk

O festival tradicionalmente escolhe uma personalidade para homenagear, mas em 2015 o funk carioca é que é o homenageado e quem vai receber o troféu do festival na abertura, são DJ Marcão, um dos fundadores da equipe Cash Box, e DJ Batutinha, produtor de celebridades do funk moderno, entre elas, Anitta.

“O funk, como uma legítima expressão da cultura da periferia, sofreu muito preconceito ao longo dos anos e hoje é patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro. Ele rompeu barreiras sociais, é produzido no Brasil inteiro e pode ser ouvido até na novela das oito. Nada mais justo do que valorizar este movimento de resistência, que representa a legítima cultura da periferia”, diz Marcio.

O longa documentário “Funk Brasil”, com cinco episódios dirigidos por Luciano Vidigal, Marcelo Gularte, Júlio Pecly, Paulo Silva, Rodrigo Felha, Christian Caselli e Cavi Borges, terá estreia nacional na abertura do festival.

Os filmes são exibidos em 17 salas de cinema e cineclubes – entre eles o Oi Futuro e o Centro Cultural da Justiça Federal – de diversos bairros da cidade, além da Baixada Fluminense e algumas cidades do interior do estado.

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