Trio Fly conquista garotas falando de amor e vai ‘contra a maré da pegação’

O Fly tem agenda cheia de shows, mas se define como “uma banda de internet”. Os três integrantes da boy band paulistana, entre 20 e 24 anos, se encontraram via YouTube e começaram a soltar a voz no site. E por lá continuam. São mais de 26 milhões de visualizações dos vídeos do trio em três anos de carreira.

Nesta semana, o G1 apresenta quatro representantes do novo pop brasileiro: um por dia, de segunda a quinta-feira. Duas boy bands (Fly e Trio Yeah) e dois artistas solo (Lexa e Gustavo Mioto) mostram quais novidades se espalham via Snapchat e serviços de música digital.

Eles são uma boy band, mas não repetem coreografias manjadas. A banda de garotos está mais para grupo vocal, desses que canta juras de amor quase eterno do naipe de “Quando eu te encontrar / Velhinha no sofá / Cabelos de algodão / Mil histórias pra contar”.

“A gente canta pop, sem preconceito”, define Nathan Barone. “A galera compra muito mais os produtos de fora de pop do que os de dentro do Brasil. A gente quer mostrar que pode fazer uma coisa bacana. O público teen não tinha uma referência de boy band.”

Ao ouvir rádios, os três notaram que o discurso do Fly é um pouco diferente dos outros brasileiros sem vergonha de ser pop. “A gente corre contra uma maré de vários artistas que falam de pegação, zoação, hoje vamos pegar o mundo. Falam que não tem amor. Existe sim, cantamos coisas baseadas em sentimentos”, conta Paulo Castagnoli.

“É tão mais difícil ser importante para uma pessoa do que para várias. É um desafio pra gente como homens. Está tudo muito fácil. Eu fico feliz quando eu ouço uma música bonita, o Luan [Santana] tem várias, de amor mesmo. Sobre ficar com alguém até ficar velhinho, planejar e sonhar com isso”, exemplifica Caíque Gama.

“Essa leva de meninas a gente passa o lance de querer estar com alguém. Ainda mais para uma menina de 13, 14 anos. É uma coisa boa os pais vindo elogiar as músicas”, opina Caíque. “Elas vão crescer e gostar da gente não por fazermos um som teen, mas um som que ela gosta”, arrisca Nathan. O três rapazes escrevem suas canções e têm a dupla Pe Lu e Koba, do Restart, entre seus produtores.

Fãs dedicadas (às vezes, até demais)

Talvez por falarem tanto de amor, o grupo tenha conquistado tantas garotas. O Fly é figura fácil nos sites, premiações e revistas dedicadas a adolescentes. Com tanto fanastimo, claro, vieram histórias que eles chegam a definir como “bizarras”.

A banda Fly (Foto: Divulgação/Orelha)A banda Fly (Foto: Divulgação/Orelha)

“Levaram colchonete para a frente do meu prédio e ficaram três dias dormindo lá. Eu desci e falei várias vezes, mas elas não iam embora. Eu sei que é muito amor, mas é perigoso isso”, recorda Nathan. “Tem coisas bizarras, mas prefiro não contar para não dar ideia”, esquiva-se Paulo.

O mais comum é ter o número do celular “vazado” pelas fãs. Elas descobrem e não param de ligar para os três. Por isso, vivem mudando. “Eu fui trocar meu número, cheguei em casa e uma menina me ligou. Como assim? Faz meia hora que eu troquei! O irmão dela tinha vendido o chip e passou o número”, recorda Caíque.

De Black Eyed Peas a NX Zero

Quando falam de artistas preferidos, o Fly vai pelo pop, reggae e rock. “Desde muito novo, gostava do Black Eyed Peas”, elege Nathan. “Gosto pela junção de pessoas diferentes, algo que a gente é, né? Eram três caras que cantaram rap e puxaram uma menina para ser mais pop e isso conquistou muita gente. Eles me impulsionaram a querer fazer isso”, justifica ele. “Eu gosto bastante de reggae desde moleque. Curto Natiruts, Cidade Negra”, conta Caíque.

“Eu sou do Paraná, de uma cidade muito pequena chamada Campo Largo… E não rolava muito show”, lembra Paulo. “E aí começou a rolar show do NX Zero e era o que estava tendo. Eram pequenos na época e comecei a ir desde os primeiros shows. Via os caras no palco e falei: ‘meu, quero fazer isso, não sei como, mas quero estar com eles lá cantando'”.

A banda Fly no clipe de 'Cabelos de algodão' (Foto: Reprodução/YouTube/Fly)A banda Fly no clipe de ‘Cabelos de algodão’ (Foto: Reprodução/YouTube/Fly)

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