‘Ausência’ é eleito o melhor filme nacional no Festival de Gramado

Vencedores do Festival de Cinema de Gramado subiram no palco ao final da premiação (Foto: Rafaella Fraga/G1)Vencedores do Festival de Cinema de Gramado subiram no palco (Foto: Rafaella Fraga/G1)

O filme “Ausência” foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha. O anúncio dos vencedores foi feito na noite deste sábado (15) em cerimônia no Palácio dos Festivais (confira a lista completa abaixo). Foram distribuídos kikitos em 28 categorias para filmes que competiram nas mostras de longas-metragens, nacionais e estrangeiros, além de curtas brasileiros, entre dramas, comédias e documentários.

Equipe de Ausência recebe o prêmio de Melhor Filme (Foto: Edison Vara/Agência PressPhoto)Equipe de Ausência recebe o prêmio de melhor

filme (Foto: Edison Vara/Agência PressPhoto)

Além de conquistar o prêmio de melhor filme nacional, “Ausência” rendeu o kikito de melhor diretor a Chico Teixeira, que não compareceu ao festival, e foi contemplado com mais dois troféus, de melhor roteiro (Chico Teixeira, César Turim e Sabina Anzuategui) e melhor trilha musical (Alexandre Kassin).

“Ausência” é um drama familiar centrado na figura do personagem Serginho, que precisa lidar com o recém-adquirido papel de homem da casa, cuidando da mãe e do irmão mais novo e trabalhando na feira, ao mesmo tempo em que mantém uma amizade com Mudinho e Silvinha, além de uma relação afetivamente confusa com o Professor Ney.

Logo após o fim da celebração, o ator Matheus Fagundes, de 18 anos, protagonista de “Ausência”, carregava, sorridente, pelo cinema com dois kikitos conquistados pela equipe. Emocionado, deu todos os créditos ao cineasta, que não pode comparecer a Gramado.

“Sinto muito orgulho de ter feito esse filme. O Chico Teixeira é merecedor de todos esses prêmios. É um ser iluminado, ele merece”, disse o jovem ator. “Ser o protagonista do filme mais premiado da noite é motivo de minha alegria, satisfação. Não consigo descrever o que estou sentindo nesse momento”, continuou. 

Mariana Ximenes distribuiu sorrisos em Gramado (Foto: Igor Pires/Agência Pressphoto)Mariana Ximenes foi eleita a melhor atriz

(Foto: Igor Pires/Agência Pressphoto)

A premiação começou com atraso de 40 minutos e foi extensa. O Palácio dos Festivais estava lotado por espectadores, imprensa, equipes  do evento e dos filmes e convidados. A festa teve números musicais do conjunto Rock de Galpão, com uma homenagem a Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, cantor e compositor gaúcho, que também foi ator e produtor de cinema. A apresentação da solenidade ficou por conta da dupla Leonardo Machado e Renata Boldrini.

Mariana Ximenes, uma das principais atrações do Festival de Cinema em 2015, levantou o kikito de melhor atriz. Ela recebeu o troféu emocionada. “Quando chega aqui, a gente esquece tudo, mas não o principal. Vem um monte de nomes na cabeça, muitas pessoas pra agradecer, muita gente envolvida”, iniciou Mariana. Ela lembrou que o filme começou de uma ideia entre amigas.

“Ele nasceu do desejo de fazer cinema, nasceu da amizade, do desejo de experimentar”, discursou ela, que elogiou a amiga e diretora Claudia Jouvin.

“Divido esse prêmio com ela e todas as pessoas que me ajudaram na minha carreira até aqui. Esse prêmio vem como um aviso pra mim, de que é importante correr riscos na vida”, conclui a atriz.

Entre os coadjuvantes, Fernanda Rocha saiu premiada por “O Último Cine Drive-In” e Otávio Muller, que esteve em Gramado, mas precisou voltar ao Rio de Janeiro por conta de compromissos e estava ausente na premiação, pela interpretação em “Um Homem Só” (RJ).

A mostra latina, que também reunia sete concorrentes, premiou cinco títulos. O argentino “La Salada”, de Juan Martin Hsu, foi eleito o melhor filme. Mas foi o mexicano “En La Estancia” que levou o maior número de troféus , com os kikitos de melhor ator, para Gilberto Barraza, e roteiro, assinado por Carlos Armella, além do Prêmio Dom Quixote, uma honraria da Federação Internacional de Cineclubes (FICC).

As atrizes Claudia Muñiz, Marianela Pupo e Maribel García Garzón dividiram o prêmio pelas interpretações no cubano “Venecia”, que ganhou também os kikitos de melhor fotografia.

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Entre os curtas, os prêmios foram bem divididos. “O Corpo”, de Lucas Cassales, que já havia dominado a premiação dos curtas gaúchos, faturou o título de melhor filme. O diretor também gaúcho Bruno Carboni, venceu em sua categoria por “O Teto Sobre Nós”.

Ausente na cerimônia, o conhecido Matheus Nachtergaele foi eleito o melhor ator por “Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas”. Giuliana Maria levou para casa o Kikito de melhor atriz pelo papel em “Herói”.

Além da entrega dos troféus, um total de R$ 280 mil foi distribuído aos principais vencedores. A iniciativa, lançada em Gramado na edição do ano passado, serve como uma espécie de incentivo à produção cinematográfica. Apesar da crise, a organização do Festival de Cinema não abriu mão do prêmio em dinheiro.

O evento que durou nove dias ainda homenageou quatro personalidades do cinema. As distinções foram conferidas para Marília Pêra (Troféu Oscarito), Daniel Filho (Troféu Cidade de Gramado), Fernando ‘Pino’ Solanas (Kikito de Cristal) e Zelito Viana (Troféu Eduardo Abelin).

Menções políticas

Convidado a subir ao palco para anunciar alguns dos vencedores, o realizador e produtor Luiz Carlos Barreto quebrou o protocolo e fez um rápido pronunciamento de tom político. “Esse festival atravessou a ditadura. Temos que defender o estado democrático de direito da tentativa de golpe”, declarou, para uma reação da plateia que misturou aplausos e vaias.

Depois, ao receber o prêmio do Júri por “O Outro Lado do Paraíso”, o jornalista Luiz Fernando Emediato, autor do livro que inspirou o filme, trouxe o tema novamente à tona.

“Eu não gosto da presidente Dilma, mas ela foi eleita. Eu fico triste de ouvir vaias quando se defende o estado de direito. Eu não gosto desse governo, eu trabalhei nesse governo. Mas existe uma coisa que é golpe, existe a constituição. Sem o estado de direito tem tortura, tem morte, tem escuridão”, discorreu, para aplausos seguido de silêncio na plateia.

Confira os vencedores

Curta-metragem brasileiro

Melhor Desenho de Som: Tiago Bello, por “O Teto Sobre Nós”

Melhor Trilha Musical: Felipe Junqueira e Samuel Ferrari, por “Miss & Grubs”

Melhor Direção de Arte: Welton Santos, por “Miss & Grubs”

Melhor Montagem: Chico Lacerda, por “Virgindade”

Melhor Fotografia: Arno Schuh, por “O Corpo”

Melhor Roteiro: Tiago Vieira e Fabrício Ide, por “Quando parei de me preocupar com canalhas”

Melhor Atriz: Giuliana Maria, por “Herói”

Melhor Ator: Matheus Nachtergaele, por “Quando parei de me preocupar com canalhas”

Prêmio Especial do Júri: “Haram”

Melhor Filme Júri Popular: “Bá”, de Leandro Tadashi

Melhor Diretor: Bruno Carboni, por “O Teto Sobre Nós”

Melhor Filme: “O Corpo”, de Lucas Cassales

Prêmio Canal Brasil: “Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano

Júri da Crítica – Curta-Metragem: “Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano

Longas estrangeiros

Melhor Fotografia: Nicolas Ordoñez, por “Venecia”

Melhor Atriz: Claudia Muñiz, Marianela Pupo e Maribel García Garzón, por “Venecia”

Melhor Roteiro: Carlos Armella, por “En La Estancia”

Melhor Ator: Gilberto Barraza, por “En La Estancia”

Melhor Filme Júri Popular: “Ella”, de Libia Stella Gómez

Melhor Diretor: Kiki Alvarez, por Venecia

Melhor Filme: “La Salada”, de Juan Martin Hsu

Prêmio Dom Quixote: “En La Estancia”, de Carlos Armella

Júri da Crítica – Longa Estrangeiro: “La Salada” de Juan Martin Hsu

Longas Brasileiros

Melhor Desenho de Som: “Ponto Zero”

Melhor Atriz Coadjuvante: Fernanda Rocha, por “O Último Cine Drive-In”

Melhor Ator Coadjuvante: Otavio Muller, por “Um Homem Só”

Melhor Trilha Musical: Alexandre Kassin, por “Ausência”

Melhor Direção de Arte: Maíra Carvalho, por “O Último Cine Drive-In”

Melhor Montagem: Frederico Brioni, por “Ponto Zero”

Melhor Fotografia: Adrian Tejido, por “Um Homem Só”

Melhor Roteiro: Chico Teixeira, César Turim e Sabina Anzuategui, por “Ausência”

Melhor Atriz: Mariana Ximenes, por “Um Homem Só”

Melhor Ator: Breno Nina, por “O Último Cine Drive-In”

Melhor Filme Júri Popular: “O Outro Lado do Paraíso”, por André Ristum

Melhor Diretor: Chico Teixeira, por “Ausência”

Melhor Filme: “Ausência”, de Chico Teixeira

Júri da Crítica – Longa Brasileiro: “O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho

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