Gramado não ‘sente’ os efeitos da crise e espera fim de semana cheio

Temperatura mais amena deve permanecer durante o fim de semana de premiação em Gramado (Foto: Rafaella Fraga/G1)Temperatura mais amena deve permanecer durante o fim de semana de premiação em Gramado (Foto: Rafaella Fraga/G1)

Entre os principais eventos culturais do Rio Grande do Sul, o Festival de Cinema de Gramado, realizado anualmente no mês de agosto na serra gaúcha, não teve o orçamento afetado, na comparação com a edição anterior. Apesar da crise, evidente no último mês, a conta deve girar em torno dos R$ 3 milhões, valor investido no ano passado.

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Além disso, a premiação em dinheiro se manterá, a exemplo do ano passado. Além dos kikitos, R$ 280 mil serão distribuídos entre os vencedores das mostras competitivas de longas-metragens brasileiros e estrangeiros e curtas brasileiros.

É inegável que a realização do evento, que chega à 43ª edição em 2015, movimenta a economia da cidade, trazendo turistas interessados em festas, mas também atraindo um público ligado ao cinema – casos dos realizadores, produtores, roteiristas, entre outros. A Prefeitura de Gramado estima que, até o fim do festival, cerca de 300 mil pessoas circulem pelo município.

Mas é unânime também, entre a maioria dos lojistas e comerciantes, a percepção de que o movimento em Gramado começa aos poucos no período, atingindo o pico na noite da entrega dos kikitos, ponto alto do Festival de Cinema. Além da crise financeira, outras adversidades impactaram no resultado adquirido até então: o clima.

Uma loja de chocolates, que tem uma filial ao lado da Rua Coberta, onde se estende o tapete vermelho, perto da imensa réplica do Kikito dourado, não teve o desempenho desejado nos primeiros dias do evento.

A crise chegou, mas nos planejamos. O movimento

até foi bem acima do que a

gente esperava”
Leonardo Santos Moreira,

gerente de restaurante

“Essa semana foi bem mais fraco. Acho que o clima desfavorece. Quando é muito quente as pessoas não compram muito chocolate, né? Derrete. E tem a crise esse ano também. Julho foi bom, mas em agosto já caiu um pouco”, conta Marli da Silva, gerente do estabelecimento situado em um ponto privilegiado na cidade. “Está bom, mas podia ser um pouco melhor”, admite.

Para alguns, foi positivo. A temperatura, que passou dos 30°C na Serra em alguns dias da semana do evento, foi convidativa para manter os turistas ao ar livre e consumindo mais bebidas, por exemplo. “Ano passado teve chuva, que atrapalhou bastante. Com o calor, o pessoal procura o deck. Ver, ser visado”, diz Leonardo Santos Moreira, gerente há dois anos e meio de um restaurante localizado ao lado do Palácio dos Festivais. “A crise chegou, mas nos planejamos. O movimento até foi bem acima do que a gente esperava”, constata.

O local trabalha com cardápio variado, com pratos como carnes, risotos e massas, além de petiscos, carta de vinhos e cervejas. Porém, a sequência de fondue, iguaria típica servida nesta época do ano na Serra gaúcha, sequer foi solicitada no “veranico de agosto” da cidade. “Saiu bem pouco. Mas a gente esperava. Quando o calor vem, a gente fatura mais em outros produtos”, justifica.

Bares ficam ao redor do tapete vermelho, por onde passam os artistas (Foto: Rafaella Fraga/G1)Bares ficam ao redor do tapete vermelho, por onde passam os artistas (Foto: Rafaella Fraga/G1)

Expectativa para o fim de semana

A esperança de todos é depositada neste fim de semana. A cerimônia de entrega dos kikitos, que deve ter a presença de celebridades, sem contar as numerosas e disputadas festas, que devem inspirar os turistas. “Envolve muitas festas, muita gente. Nesse período a crise passa longe aqui”, comenta Diego Veecki, gerente-geral de um bistrô localizado bem em frente ao tapete vermelho.

“A surpresa foi o calor. Graças a Deus”, comemora. “Amenizou os efeitos da crise. O consumo de bebida é muito maior. Com o calor sai mais, muito mais mesmo”, diz ele.

As reservas de mesas para a noite da premiação, todas posicionadas na beirada do trajeto por onde passam os artistas e convidados, já foram esgotadas há mais de um mês. “A gastronomia de Gramado, em geral, tem potência muito grande, especialmente nessa época do ano. E se tratando da Rua Coberta, vem a beneficiar todos que estão em volta”, analisa.

A decepção com o clima fica mesmo por conta dos turistas, especialmente aqueles que vieram do Norte e do Nordeste do Brasil em busca do frio. Mas há uma esperança: nesta sexta-feira (14), a temperatura já começou a cair um pouquinho, ficando mais amena. Sinal de que os casacos já podem ser retirados das malas.

Bares ficam ao redor do tapete vermelho, por onde passam os artistas (Foto: Rafaella Fraga/G1)Tempo nublado nesta sexta (14) indica clima mais ameno para fim de semana (Foto: Rafaella Fraga/G1)

Serviço

43ª Festival de Cinema de Gramado

Data: De 7 a 15 de agosto

Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697)

Quanto: De R$ 30 (sessão) a R$ 100 (premiação)

Longa-metragem nacional

“Ausência”, de Chico Teixeira (SP)

“Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda (RJ)

“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (RJ)

“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum (DF)

“O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho (DF)

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart (RS)

“Um Homem Só”, de Cláudia Jouvin (RJ)

Longa-metragem estrangeiro

“Ella”, de Libia Stella Gómez (Colômbia)

“En La Estancia”, de Carlos Armella (México)

“La Salada”, de Juan Martin Hsu (Argentina)

“Ochentaisiete”, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade (Equador)

“Presos”, de Esteban Ramírez Jímenez (Costa Rica)

“Venecia”, de Kiki Alvarez (Cuba)

“Zanahoria”, de Enrique Buchichio (Uruguai)

Curta-metragem nacional

“Bá”, de Leandro Tadashi (SP)

“Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada”, de João Toledo (MG)

“Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano (SP)

“Enquanto o Sangue Coloria a Noite, Eu Olhava as Estrelas”, de Felipe Arrojo Poroger (SP)

“Haram”, de Max Gaggino (BA)

“Heroi”, de Pedro Figueiredo (SP)

“Macapá”, de Marcos Ponts (MA)

“Miss & Grubs”, de Camila Kamimura e Jonas Brandão (SP)

“Muro”, de Eliane Scardovelli (SP)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (RS)

“O Teto Sobre Nós”, de Bruno Carboni (RS)

“Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas”, de Tiago Vieira (SP/GO)

“S2”, de Bruno Bini (MT)

“Sêo Inácio (ou O Cinema Imaginário)”, de Helio Ronyvon (RN)

“Virgindade”, de Chico Lacerda (PE)

 

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