‘Agregadoras’ viram alternativa mais barata que gravadoras para streaming

 

A VEZ DO STREAMING
G1 mostra revolução da música online

A palavra “agregadora” entra para o dicionário do novo mercado musical, revitalizado pelo streaming. Este tipo de empresa vira uma alternativa às gravadoras tradicionais, para artistas que querem encurtar seu caminho entre o estúdio e o ouvido dos fãs, sem ter que passar pelas fábricas de discos.

As agregadoras fazem a ponte direta entre músicos e empresas de streaming, como Spotify e Apple Music. A vantagem é que os contratos costumam ser menos pesados que o das grandes gravadoras. Eles ganham mais controle sobre os lançamentos – por outro lado, abrem mão da azeitada máquina de marketing da velha indústria.

Na guerra do streaming, as agregadoras também não estão imunes de críticas – como cobrar até 30% da remuneração dos músicos no Brasil. Mesmo assim nomes como Claudia Leitte, Valesca Popozuda, Fernando & Sorocaba e Racionais MCs já aderiram ao modelo.

Diretor no Brasil há mais de três anos da ONErpm, uma das maiores agregadoras no país, Arthur Fitzgibbon fala ao G1 sobre as agregadoras.

G1 – Como é o trabalho de uma agregadora?

Arthur Fitzgibbon –
Temos uma plataforma própria que faz a integração dos donos de conteúdos com os serviços de streaming. A última coisa que as empresas querem é lidar diretamente com os artistas. Quase todas se entendem como empresa de tecnologia e não de música. [Artistas e empresas] não falam muito a mesma língua. Sempre buscam empresas como a nossa. Em 2011 a OneRPM veio para o Brasil.

G1 – E como é a atuação aqui?

Arthur Fitzgibbon –
A empresa começou a se desenvolver com muita força no Brasil, com mais representatividade. A gente não queria ser só um agregador. Começamos a suprir muita gente como braço do digital, com estratégia, marketing etc. Por exemplo, a Valesca Popozuda entrou de cabeça. Racionais MCs também é um bom caso. Claudia Leitte também. Ela já foi de Universal, Sony, e há um ano não sentiu necessidade de trabalhar com as majors [grandes gravadoras]. Nesse processo do digital não precisa da major, cada vez mais.

G1 – Por quê?

Arthur Fitzgibbon –
É tudo matemática. No passado a gravadora bancava tudo, aí ficava com 90% dos ganhos. Nos últimos 6, 7 anos, o artista começou a ter estrutura própria e gravar seu material. O modelo de muitos é de licenciamento. Eles são proprietários do material, e cedem para a  gravadora se quiser. Claudia Leite e Fernando & Sorocaba, por exemplo. No caso dela, cedeu o digital para a gente lançar. O funk tem volume astronômico neste modelo.

G1 – E vocês podem lançar CDs também?

Arthur Fitzgibbon –
Não cuidamos em nada do físico. Para isso tem que ter uma preparação. Ninguém hoje monta uma estrutura para físico, que tem diminuído nas vendas.

G1 – Vocês buscam fechar os contratos como as gravadoras, de longo prazo? Qual é a porcentagem de renda do artista?

Arthur Fitzgibbon –
Não, a gente faz contrato até por música. Obviamente continua sendo um contrato, onde tem que respeitar determinados limites. O dono do conteúdo fica com no mínimo 70%.

G1 – Há reclamações sobre esta fatia da agregadora chegar a 30% no Brasil.

Arthur Fitzgibbon –
Tudo vai depender da necessidade do cliente. Às vezes ele não tem nenhuma estrutura, planejamento, estratégia. A gente tem que cuidar de tudo. É neste caso que se aplica 30%, pois há uma troca por processo de trabalho. Mas a fatia do artista vai até no máximo 90%. Neste caso, é um artista que está “no piloto automático”, em que o nosso trabalho é menor.

G1 – E muitos artistas em geral reclamam do rendimento que recebem do streaming. Como vocês os orientam?

Arthur Fitzgibbon –
O que a gente fala para a turma é o seguinte: há uma estimativa no mundo de 80 milhões de usuários de streaming. Só que o mundo tem 7 bilhões de pessoas. O mercado a ser atingido é muito grande. Ainda assim há um repasse. Pequeno, mas é uma educação de consumo. Mesmo que seja um centavo, está recebendo. Diferente de dez anos atrás, que não tinha perspectiva alguma, quando se baixava por serviço pirata. Houve uma geração perdida. Pessoas que não sabiam consumir música. Agora há um novo modelo, que ainda não sustenta, mas já é uma fonte de receita.

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