Pacientes psiquiátricos protagonizam filme exibido no Festival de Gramado

Arte da Locura Festival de Cinema de Gramado (Foto: Paula Menezes/G1)Grupo do Hospital São Pedro foi até Gramado ser ver na tela do festival (Foto: Paula Menezes/G1)

O Festival de Cinema de Gramado ganhou visitantes especiais na edição deste ano. Pacientes do Hospital Psiquiátrico São Pedro e de outras instituições viajaram de Porto Alegre para a cidade da serra gaúcha no sábado (8) especialmente para a exibição do filme “Arte da Loucura”, em que eles são os personagens principais. A produção está na disputa do Prêmio Assembleia Legislativa, a ser entregue na noite deste domingo (9).

Além de subir ao palco do Palácio dos Festivais, o grupo ainda passeou por pontos turísticos do município e tomou um café colonial. Os 15 pacientes que foram ao evento fazem parte do grupo teatral Nau da Liberdade, que existe há mais de dois anos. São 21 integrantes, entre trabalhadores da área da saúde e pessoas em tratamento no São Pedro ou em outras instituições da rede pública da capital. Eles ensaiam três vezes por semana e fazem apresentações que unem teatro, música e dança.

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O trabalho foi filmado durante três meses em 2013 e originou o curta exibido no sábado (8) na 43ª edição Festival de Cinema. “A gente ia ao menos uma vez por semana no São Pedro acompanhar o trabalho deles. Sem interferir no processo. É um documentário que usa elementos do teatro para dentro do cinema”, destacou uma das diretoras de “Arte da Loucura”, Karine Emerich.

O projeto Nau da Liberdade começou pela vinda de atores italianos da companhia “Accademia della Follia”, que estiveram em Porto Alegre para uma residência artística. Eles iam ao Hospital Psiquiátrico São Pedro cinco dias por semana para ensaiar o primeiro espetáculo do grupo, chamado “Azul como a Liberdade”. Desde o dia 27 de maio de 2013, o trabalho não parou mais.

Marlon Bastos Farias, de 32 anos, é um dos integrantes do grupo teatral que participou do passeio a Gramado. Ele faz tratamento psiquiátrico na rede pública de saúde de Porto Alegre há 10 anos. Animado, contou que os espetáculos ajudam a lidar com as emoções.

“É muito importante para mim, fico entrosado com as pessoas. É se comunicar, colocar os sentimentos para fora, colocar os anseios. Tirar as coisas ruins”, conta Marlon, que faz parte do projeto há um ano e meio e já se apresentou em cidades como São Lourenço do Sul, Alegrete, Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, além de Curitiba, no Paraná.

O grupo encerrou a visita a Gramado por volta de 19h30 de sábado (8), quando o ônibus lotado partiu para Porto Alegre. Agora, eles aguardam o resultado da premiação. Além de “Arte da Loucura”, estão na disputa outros 18 curtas (veja a lista completa abaixo).

Arte da Locura Festival de Cinema de Gramado (Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto/Divulgação)Pacientes do São Pedro na exibição de filme em Gramado (Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto/Divulgação)

Serviço

43ª Festival de Cinema de Gramado

Data: De 7 a 15 de agosto

Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697)

Quanto: De R$30 (sessão) a R$ 100 (premiação)

Longa-metragem nacional

“Ausência”, de Chico Teixeira (SP)

“Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda (RJ)

“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (RJ)

“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum (DF)

“O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho (DF)

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart (RS)

“Um Homem Só”, de Cláudia Jouvin (RJ)

Longa-metragem estrangeiro

“Ella”, de Libia Stella Gómez (Colômbia)

“En La Estancia”, de Carlos Armella (México)

“La Salada”, de Juan Martin Hsu (Argentina)

“Ochentaisiete”, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade (Equador)

“Presos”, de Esteban Ramírez Jímenez (Costa Rica)

“Venecia”, de Kiki Alvarez (Cuba)

“Zanahoria”, de Enrique Buchichio (Uruguai)

Curta-metragem nacional

“Bá”, de Leandro Tadashi (SP)

“Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada”, de João Toledo (MG)

“Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano (SP)

“Enquanto o Sangue Coloria a Noite, Eu Olhava as Estrelas”, de Felipe Arrojo Poroger (SP)

“Haram”, de Max Gaggino (BA)

“Heroi”, de Pedro Figueiredo (SP)

“Macapá”, de Marcos Ponts (MA)

“Miss & Grubs”, de Camila Kamimura e Jonas Brandão (SP)

“Muro”, de Eliane Scardovelli (SP)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (RS)

“O Teto Sobre Nós”, de Bruno Carboni (RS)

“Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas”, de Tiago Vieira (SP/GO)

“S2”, de Bruno Bini (MT)

“Sêo Inácio (ou O Cinema Imaginário)”, de Helio Ronyvon (RN)

“Virgindade”, de Chico Lacerda (PE)

Mostra Gaúcha

“Arte da Loucura”, de Karine Emerich e Mirela Kruel (Porto Alegre)

“Atrás da Sombra”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes (Porto Alegre)

“Bruxa de Fábrica”, de Jonas Costa (São Leopoldo)

“Consertam-se Gaitas”, de Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini (Bento Gonçalves)

“Da Vida Só Espero a Morte”, de Júlia Ramos (Porto Alegre)

“De Que Lado Me Olhas”, de Carolina de Azevedo e Elena Sassi (São Leopoldo)

“Entre nós”, de Maciel Fischer (Pelotas)

“Ferro”, de Giordano Gio (Porto Alegre)

“Kaali”, de Gabriel Motta Ferreira (Porto Alegre)

“Liga-pontos”, de Teresa Assis Brasil (São Leopoldo)

“Madrepérola”, de Deise Hauenstein (São Leopoldo)

“Nes Pas Projeter”, de Cristian Verardi (Porto Alegre)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (Porto Alegre)

“O Movimento do Escuro”, de Alexandre Rossi (Porto Alegre)

“O Sonho, o Limiar e a Porta que Metamorfoseia”, de Gustavo Spolidoro (Porto Alegre)

“Pele de Concreto”, de Daniel de Bem (Porto Alegre)

“Plano”, de Virginia Simone, Carlos Dias e Matheus Walter (Porto Alegre)

“Quanto Mais Suicidas, Menos Suicidas”, de Maurício Canterle Gonçalves (Santa Maria)

“Rito Sumário”, de Alexandre Derlam (Porto Alegre)

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