Diretor Murilo Salles diz que seu filme trata das corrupções do dia a dia

“O Fim e os Meios” é uma história para tirar o público da zona de conforto. Essa é a promessa do diretor Murilo Salles, cineasta com a carreira ligada a filmes políticos. O longa, que tem seu desenrolar em Brasília, será exibido na mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado na noite deste domingo (9), no Palácio dos Festivais, na serra gaúcha.

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A trama conta a trajetória da jornalista Cris (Cíntia Rosa) e do publicitário Paulo (Pedro Brício), um jovem casal que é unido por uma gravidez inesperada. Eles se mudam do Rio de Janeiro para Brasília, com a ambição de melhorar a vida.

Na capital federal, Paulo vai trabalhar na campanha para a reeleição de um senador, o que desencadeia um jogo de interesses e causa reações no casal. A partir daí, os dois se envolvem em um triângulo amoroso que se forma nos bastidores da política.

“Não é um filme de denúncia sobre corrupção. Ele quer entender como isso está impregnado. Não é possível a gente achar que só tem alguns culpados. Todos são culpados. A corrupção é cultural. Você vai deixando a vida te levar, e não dá para deixar a vida te levar”, destaca Murilo Salles.

O Fim e os Meios Festival de Gramado (Foto: Divulgação)“O Fim e os Meios” é ambientado em

Brasília (Foto: Divulgação)

A ação se divide entre o Rio, Alagoas e Brasília. O diretor conta que passou 20 dias no Congresso Nacional para vivenciar a rotina do local (veja um trecho da entrevista no vídeo acima). O filme, segundo ele, está longe de ser maniqueísta, com personagens bons e outros maus. Mas resultado do trabalho promete “incomodar”, como define Murilo.

Vencedor do melhor filme do Festival de Cinema de Gramado em 2008, com “Nome Próprio”, ele afirma que, dessa vez, está curioso para ver a reação do público. “É um filme incômodo para quem o assiste. E eu sou louco de fazer um filme incômodo. Mas é isso. Estou curioso para ver como vão reagir. Ele vai quebrando regras e tenta não ser óbvio”.

Além do tema central ligado à política, o filme também trata os dramas do casal de forma humana. “O foco do filme é humanizar tudo isso. A gente fala sobre como uma pessoa bacana se torna uma pessoa corrupta. Elas não queriam ser corruptas, mas vão se tornando. Você pode cair numa relação corrupta com os seus filhos, dentro de casa”, acrescenta a produtora Julia Moraes.

No Festival do Rio, em setembro, “O Fim e os Meios” ganhou o prêmio de melhor roteiro. Em Gramado, disputa o Kikito com outros seis longas-metragens brasileiros (confira a lista abaixo). No elenco, estão ainda nomes como Marco Ricca.

Serviço

43ª Festival de Cinema de Gramado

Data: De 7 a 15 de agosto

Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697)

Quanto: De R$30 (sessão) a R$ 100 (premiação)

Longa-metragem nacional

“Ausência”, de Chico Teixeira (SP)

“Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda (RJ)

“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (RJ)

“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum (DF)

“O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho (DF)

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart (RS)

“Um Homem Só”, de Cláudia Jouvin (RJ)

Longa-metragem estrangeiro

“Ella”, de Libia Stella Gómez (Colômbia)

“En La Estancia”, de Carlos Armella (México)

“La Salada”, de Juan Martin Hsu (Argentina)

“Ochentaisiete”, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade (Equador)

“Presos”, de Esteban Ramírez Jímenez (Costa Rica)

“Venecia”, de Kiki Alvarez (Cuba)

“Zanahoria”, de Enrique Buchichio (Uruguai)

Curta-metragem nacional

“Bá”, de Leandro Tadashi (SP)

“Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada”, de João Toledo (MG)

“Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano (SP)

“Enquanto o Sangue Coloria a Noite, Eu Olhava as Estrelas”, de Felipe Arrojo Poroger (SP)

“Haram”, de Max Gaggino (BA)

“Heroi”, de Pedro Figueiredo (SP)

“Macapá”, de Marcos Ponts (MA)

“Miss & Grubs”, de Camila Kamimura e Jonas Brandão (SP)

“Muro”, de Eliane Scardovelli (SP)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (RS)

“O Teto Sobre Nós”, de Bruno Carboni (RS)

“Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas”, de Tiago Vieira (SP/GO)

“S2”, de Bruno Bini (MT)

“Sêo Inácio (ou O Cinema Imaginário)”, de Helio Ronyvon (RN)

“Virgindade”, de Chico Lacerda (PE)

Mostra Gaúcha

“Arte da Loucura”, de Karine Emerich e Mirela Kruel (Porto Alegre)

“Atrás da Sombra”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes (Porto Alegre)

“Bruxa de Fábrica”, de Jonas Costa (São Leopoldo)

“Consertam-se Gaitas”, de Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini (Bento Gonçalves)

“Da Vida Só Espero a Morte”, de Júlia Ramos (Porto Alegre)

“De Que Lado Me Olhas”, de Carolina de Azevedo e Elena Sassi (São Leopoldo)

“Entre nós”, de Maciel Fischer (Pelotas)

“Ferro”, de Giordano Gio (Porto Alegre)

“Kaali”, de Gabriel Motta Ferreira (Porto Alegre)

“Liga-pontos”, de Teresa Assis Brasil (São Leopoldo)

“Madrepérola”, de Deise Hauenstein (São Leopoldo)

“Nes Pas Projeter”, de Cristian Verardi (Porto Alegre)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (Porto Alegre)

“O Movimento do Escuro”, de Alexandre Rossi (Porto Alegre)

“O Sonho, o Limiar e a Porta que Metamorfoseia”, de Gustavo Spolidoro (Porto Alegre)

“Pele de Concreto”, de Daniel de Bem (Porto Alegre)

“Plano”, de Virginia Simone, Carlos Dias e Matheus Walter (Porto Alegre)

“Quanto Mais Suicidas, Menos Suicidas”, de Maurício Canterle Gonçalves (Santa Maria)

“Rito Sumário”, de Alexandre Derlam (Porto Alegre)

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