‘Nasceu de um sentimento de amor’, diz diretora de filme com Regina Casé

Diretora Anna Muylaert falou à imprensa na manhã deste sábado (8) (Foto: Igor Pires/Agência PressPhoto)Diretora Anna Muylaert falou à imprensa na manhã deste sábado (8) (Foto: Igor Pires/Agência PressPhoto)

A história de uma nordestina que deixa a filha em Pernambuco para trabalhar como babá de uma família de classe alta em São Paulo encantou o público do Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha. O filme “Que horas ela volta?”, apesar de estar fora de competição, foi o primeiro longa a ser exibido no Palácio dos Festivais na 43ª edição do evento, na noite de sexta-feira (7), e arrancou aplausos calorosos da plateia.

Após a boa recepção, a diretora Anna Muylaert falou à imprensa na manhã deste sábado (8). Segundo ela, o filme trata de relações de poder e aborda questões do Brasil contemporâneio por meio de um olhar materno.

A trama se desenrola em torno da vida de Val, interpretada por Regina Casé, uma mulher simples que, ao desempenhar o trabalho de doméstica, se tornou uma segunda mãe para Fabinho (Michel Joelsas). No entanto, sua rotina muda quando a filha Jéssica (Camila Márdila) anuncia que vai se mudar para São Paulo para prestar vestibular. A personalidade da jovem mexe na hierarquia social da família e traz à tona questionamentos sobre a sociedade.

“Esse filme nasceu quando eu tive meu filho, e eu me deparei com a grandeza da maternidade, com a grandeza de educar um filho. O filme nasceu de um sentimento de amor, não só pela criança, mas também pelo respeito ao trabalho (de babá) que é quase exclusivamente feito por mulher no Brasil e na América Latina. Ele é desvalorizado, quando é um trabalho sagrado. Foi aí que esse filme começou”, declarou.

Premiada nos festivais de Sundance e Berlim, a produção estava em disputa pelo Kikito, mas foi retirada de última hora por conta de uma pré-estreia marcada para a próxima semana em São Paulo, o que não é permitido pelo regulamento do Festival de Cinema. A exibição, no entanto, foi mantida.

“A gente infringiu o regulamento sem perceber. Ninguém se deu conta. Só depois que isso foi percebido, e nós dissemos que tudo bem. No fim, acho que isso foi bom para o filme. Porque se estivesse competindo a gente estaria muito mais nervosos”, disse a diretora, ao ser questionada sobre a desistência de participar da mostra competitiva.

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Atuação elogiada

Camila Márdila, que deu vida à Jéssica, também conversou com os jornalistas, que lotaram a sala dedicada ao debate sobre o filme. A jovem dividiu com Regina Casé o prêmio de melhor atriz em filme estrangeiro no Festival de Sundance, nos Estados Unidos. A atuação arrancou elogios – até mesmo pelo sotaque nordestino incorporado de forma natural pela brasiliense.

“Esse negócio da Anna [diretora] de ter um ‘ator autor’ funcionou muito bem. Todas as figuras eram muito artísticas. A gente sabia onde a cena precisava chegar, mas a gente que construía esse caminho”, declarou sobre sua participação. “A Jéssica tem uma vibração muito intensa. Ela é essa figura questionadora”.

“Quando a Camila veio para um teste, eu queria uma pernambucana. Mas elas não correspondiam, no sentido de que a Jéssica é muito seca, ela não sorri. Mas primeiro eu impliquei com a Camila, dizendo que precisava de alguém mais escuro. Até que fui convencida e deu mais do que certo”.

Regina Casé em 'Que horas ela volta?' (Foto: Divulgação)Regina Casé em ‘Que horas ela volta?’ (Foto: Divulgação)


A estreia no circuito comercial brasileiro está marcada para 27 de agosto.

Serviço

43ª Festival de Cinema de Gramado

Data: De 7 a 15 de agosto

Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697)

Quanto: De R$30 (sessão) a R$ 100 (premiação)

Longa-metragem nacional

“Ausência”, de Chico Teixeira (SP)

“Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda (RJ)

“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (RJ)

“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum (DF)

“O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho (DF)

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart (RS)

“Um Homem Só”, de Cláudia Jouvin (RJ)

Longa-metragem estrangeiro

“Ella”, de Libia Stella Gómez (Colômbia)

“En La Estancia”, de Carlos Armella (México)

“La Salada”, de Juan Martin Hsu (Argentina)

“Ochentaisiete”, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade (Equador)

“Presos”, de Esteban Ramírez Jímenez (Costa Rica)

“Venecia”, de Kiki Alvarez (Cuba)

“Zanahoria”, de Enrique Buchichio (Uruguai)

Curta-metragem nacional

“Bá”, de Leandro Tadashi (SP)

“Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada”, de João Toledo (MG)

“Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano (SP)

“Enquanto o Sangue Coloria a Noite, Eu Olhava as Estrelas”, de Felipe Arrojo Poroger (SP)

“Haram”, de Max Gaggino (BA)

“Heroi”, de Pedro Figueiredo (SP)

“Macapá”, de Marcos Ponts (MA)

“Miss & Grubs”, de Camila Kamimura e Jonas Brandão (SP)

“Muro”, de Eliane Scardovelli (SP)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (RS)

“O Teto Sobre Nós”, de Bruno Carboni (RS)

“Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas”, de Tiago Vieira (SP/GO)

“S2”, de Bruno Bini (MT)

“Sêo Inácio (ou O Cinema Imaginário)”, de Helio Ronyvon (RN)

“Virgindade”, de Chico Lacerda (PE)

Mostra Gaúcha

“Arte da Loucura”, de Karine Emerich e Mirela Kruel (Porto Alegre)

“Atrás da Sombra”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes (Porto Alegre)

“Bruxa de Fábrica”, de Jonas Costa (São Leopoldo)

“Consertam-se Gaitas”, de Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini (Bento Gonçalves)

“Da Vida Só Espero a Morte”, de Júlia Ramos (Porto Alegre)

“De Que Lado Me Olhas”, de Carolina de Azevedo e Elena Sassi (São Leopoldo)

“Entre nós”, de Maciel Fischer (Pelotas)

“Ferro”, de Giordano Gio (Porto Alegre)

“Kaali”, de Gabriel Motta Ferreira (Porto Alegre)

“Liga-pontos”, de Teresa Assis Brasil (São Leopoldo)

“Madrepérola”, de Deise Hauenstein (São Leopoldo)

“Nes Pas Projeter”, de Cristian Verardi (Porto Alegre)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (Porto Alegre)

“O Movimento do Escuro”, de Alexandre Rossi (Porto Alegre)

“O Sonho, o Limiar e a Porta que Metamorfoseia”, de Gustavo Spolidoro (Porto Alegre)

“Pele de Concreto”, de Daniel de Bem (Porto Alegre)

“Plano”, de Virginia Simone, Carlos Dias e Matheus Walter (Porto Alegre)

“Quanto Mais Suicidas, Menos Suicidas”, de Maurício Canterle Gonçalves (Santa Maria)

“Rito Sumário”, de Alexandre Derlam (Porto Alegre)

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