‘Filmes são sensíveis’, diz curador do Festival de Cinema de Gramado

Rubens Ewald Filho no 43º Festival de Cinema de Gramado (Foto: Paula Menezes/ G1 RS)Rubens Ewald Filho no 43º Festival de Cinema de Gramado (Foto: Paula Menezes/ G1 RS)

O público que vai ao 43º Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha, pode esperar  longas-metragens brasileiros com temas “sensíveis e humanos”. Essa é a definição do crítico Rubens Ewald Filho, integrante do trio de curadores do festival, ao lado do jornalista gaúcho Marcos Santuario e da diretora e atriz argentina Eva Piwowarski.

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São sete produções nacionais em disputa pelo Kikito (veja a lista abaixo). Há produções do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e São Paulo.

“Todos os filmes são extremamente sensíveis e humanos. Um deles, por exemplo, tem temática gay e retrata isso com uma delicadeza surpreendente. Nós não teremos escândalo, não teremos provocação. Se trata de sensibilidade e humanidade”, afirma Rubens.

O curador minimiza as críticas em torno da falta de filmes inéditos no festival. Para Rubens, o fato de uma produção ser reproduzida pela primeira vez não significa que ela seja de qualidade. Além disso, ele destacou que, na maioria das vezes, os filmes brasileiros são atraídos antes por festivais internacionais.

“Desde quando inédito quer dizer bom? O grande problema na seleção foi encontrar filmes bons. Quando é ruim, é ruim. O festival tem obrigação de pegar boas produções, não as inéditas. A nata de 10 ou 12 filmes bons fica esperando o festival de Veneza ou o de Berlim”, pontua.

É o caso do filme de “Que Horas Ela Volta?”, filme de Anna Muylaert e que traz Regina Casé como protagonista. Premiada nos festivais de Sundance e Berlim, a produção estava na mostra competitiva de longas nacionais, mas foi retirada de última hora por um conta de uma pré-estreia marcada para a próxima semana em São Paulo, o que não é permitido pelo regulamento do festival. A exibição, no entanto, foi mantida para a noite desta sexta-feira e é uma das mais aguardadas do festival.   

Festival de Cinema de Gramado (Foto: Paula Menezes/G1)Festival de Cinema de Gramado começa na noite

desta sexta (Foto: Paula Menezes/G1)

Força latina

Para o curador, os filmes latinos também vêm com força este ano. A qualidade e a quantidade de inscrições, segundo Rubens, estão aumentando de uma edição para outra. Em 2015, cada longa-metragem em competição é de um país diferente. Estão representados Colômbia, México, Argentina, Equador, Costa Rica, Cuba e Uruguai.

“Houve um esforço muito grande dos latinos este ano. Antes, era difícil que os filmes chegassem até aqui. Graças ao digital, isso cresceu. O Peru antes não fazia filmes, agora faz. Até por isso, resolvemos escolher um filme por país, para dar oportunidade a todos. Mas ainda queremos mais para as próximas edições”, diz Rubens.

Segundo a curadoria, haverá surpresas e novidades na mostra latina. O filme mexicano “En La Estancia”, por exemplo, mistura documentário e ficção. “Venecia”, de Cuba, é uma comédia dramática sobre o universo das mulheres. O Uruguai, representado por “Zanahoria”, traz um trhiller político. “La Salada”, da Argentina, apresenta as desventuras de imigrantes em Buenos Aires.

“Ella”, da Colômbia, mostra a história de um homem que perde a companheira em uma pensão e tenta reunir dinheiro para o funeral, mas não consegue. “Ochentaisiete”, do Equador, retrata o reencontro de velhos amigos que, após anos separados, se veem diante da difícil tarefa de montar uma vida com as peças de outras que se quebraram. Por fim, “Presos”, da Costa Rica, traz um drama sobre uma jovem que, em circustâncias especiais, conhece um prisioneiro.

Serviço

43ª Festival de Cinema de Gramado

Data: De 7 a 15 de agosto

Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697)

Quanto: De R$30 (sessão) a R$ 100 (premiação)

Longa-metragem nacional

“Ausência”, de Chico Teixeira (SP)

“Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda (RJ)

“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (RJ)

“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum (DF)

“O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho (DF)

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart (RS)

“Um Homem Só”, de Cláudia Jouvin (RJ)

Longa-metragem estrangeiro

“Ella”, de Libia Stella Gómez (Colômbia)

“En La Estancia”, de Carlos Armella (México)

“La Salada”, de Juan Martin Hsu (Argentina)

“Ochentaisiete”, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade (Equador)

“Presos”, de Esteban Ramírez Jímenez (Costa Rica)

“Venecia”, de Kiki Alvarez (Cuba)

“Zanahoria”, de Enrique Buchichio (Uruguai)

Curta-metragem nacional

“Bá”, de Leandro Tadashi (SP)

“Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada”, de João Toledo (MG)

“Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano (SP)

“Enquanto o Sangue Coloria a Noite, Eu Olhava as Estrelas”, de Felipe Arrojo Poroger (SP)

“Haram”, de Max Gaggino (BA)

“Heroi”, de Pedro Figueiredo (SP)

“Macapá”, de Marcos Ponts (MA)

“Miss & Grubs”, de Camila Kamimura e Jonas Brandão (SP)

“Muro”, de Eliane Scardovelli (SP)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (RS)

“O Teto Sobre Nós”, de Bruno Carboni (RS)

“Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas”, de Tiago Vieira (SP/GO)

“S2”, de Bruno Bini (MT)

“Sêo Inácio (ou O Cinema Imaginário)”, de Helio Ronyvon (RN)

“Virgindade”, de Chico Lacerda (PE)

Mostra Gaúcha

“Arte da Loucura”, de Karine Emerich e Mirela Kruel (Porto Alegre)

“Atrás da Sombra”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes (Porto Alegre)

“Bruxa de Fábrica”, de Jonas Costa (São Leopoldo)

“Consertam-se Gaitas”, de Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini (Bento Gonçalves)

“Da Vida Só Espero a Morte”, de Júlia Ramos (Porto Alegre)

“De Que Lado Me Olhas”, de Carolina de Azevedo e Elena Sassi (São Leopoldo)

“Entre nós”, de Maciel Fischer (Pelotas)

“Ferro”, de Giordano Gio (Porto Alegre)

“Kaali”, de Gabriel Motta Ferreira (Porto Alegre)

“Liga-pontos”, de Teresa Assis Brasil (São Leopoldo)

“Madrepérola”, de Deise Hauenstein (São Leopoldo)

“Nes Pas Projeter”, de Cristian Verardi (Porto Alegre)

“O Corpo”, de Lucas Cassales (Porto Alegre)

“O Movimento do Escuro”, de Alexandre Rossi (Porto Alegre)

“O Sonho, o Limiar e a Porta que Metamorfoseia”, de Gustavo Spolidoro (Porto Alegre)

“Pele de Concreto”, de Daniel de Bem (Porto Alegre)

“Plano”, de Virginia Simone, Carlos Dias e Matheus Walter (Porto Alegre)

“Quanto Mais Suicidas, Menos Suicidas”, de Maurício Canterle Gonçalves (Santa Maria)

“Rito Sumário”, de Alexandre Derlam (Porto Alegre)

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