Atrizes de Hollywood entram em polêmica com Anistia sobre prostituição

Ver estrelas de Hollywood apoiando organizações de direitos humanos para dar visibilidade à causa é algo corriqueiro.

Mas uma situação pouco comum vem acontecendo entre atrizes famosas e a Anistia Internacional.

Emma Thompson, Meryl Streep, Kate Winslet, Anne Hathaway, Angela Bassett, juntamente com outras pessoas e organizações, assinaram uma carta rechaçando um documento da Anistia, no qual a ONG analisa a possibilidade de recomendar a organismos governamentais e internacionais a despenalização da prostituição.

Emma Thompson e Anne Hathaway estão entre as atrizes que assinaram carta criticando a Anistia

Ainda que se trate de um documento interno (a Anistia deve submetê-lo à votação no mês que vem), isso foi suficiente para desatar uma onda de críticas, especialmente entre os grupos de defesa dos direitos das mulheres.

Na carta à Anistia, o grupo afirmou estar “profundamente preocupado com a proposta da Anistia Internacional de adotar uma política que levaria à despenalização de cafetões, dos donos de bordeis e dos consumidores de sexo – os pilares de uma indústria global do sexo que move US$ 99 bilhões”.

E continua: “Ainda que a Anistia tenha tardado em entender que os direitos das mulheres são direitos humanos e incorporar esse conceito em sua missão, é uma organização vista como modelo para a mobilização do público para garantir que o governo implemente os princípios da Declaração Universal dos Direito Humanos. Por isso, o documento prejudica essa reputação histórica.”

Abuso

Segundo a organização Coalizão contra o Tráfico de Mulheres (CATW, na siga em inglês), que também assinou a carta, há cada vez mais provas dos efeitos catastróficos da despenalização do comércio sexual. A CATW diz concordar com a Anistia no que diz respeito ao fato de que as trabalhadoras do sexo não devem ser criminalizadas pela política ou pelo governo.

Documento da Anistia ainda é rascunho de medida que será analisado apenas em agosto

Também diz acreditar que a total descriminalização da prostituição “transforma os cafetões em homens de negócios que vendem impunemente pessoas vulneráveis com histórico de pobreza, discriminação e abuso sexual”

Diante da polêmica, a Anistia afirmou que ainda está trabalhando no rascunho do documento, e que se baseia na ideia de que criminalizar o trabalho sexual entre adultos pode levar a um maior abuso das trabalhadoras sexuais.

“Esses abusos incluem violência física e sexual, prisões e detenções arbitrárias, realização forçosa de testes de HIV e outras intervenções médicas”, disse a ONG em um comunicado, reiterando que nenhuma decisão será tomada no momento.

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